terça-feira, 20 de março de 2018
Para pensar...
Pairando entre o estarrecedor e o imprescindível, entretanto o mais necessário lembrete para nós, povo da nossa estranha nação. Só a verdade liberta. Só o conhecimento transforma. Só a coragem constrói.
Reverenciando tantas Marieles, tantos Ulisses, tantos Juscelinos, Eduardos, Jangos e Tancredos. Gente que viveu para as coletividades. Gente que morreu, sempre sem convincente explicação, por amor a sua gente. Gente, que pela sua conduta e atitude diferenciada, tornou-se imortalizada. Além, é claro, daqueles que viveram e morreram no anonimato, desafiando os poderes sordidamente estabelecidos, com a ousadia no peito e o fogo nos olhos, queimando sempre para o Bem. Gente que contrariou a ordem em desordem.
Raros e insuperáveis, cada um a seu modo.
Insubstituíveis em sua área de ação.
Donos de legados de raça e emoção.
Corajosos e virtuosos, em extinção...
E o pior de tudo, é perceber ao final, que a gente sempre soube de tudo isso, desde sempre.
Já que sabemos, que não nos falte a atitude e o comprometimento.
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Célia Motta.
quinta-feira, 15 de março de 2018
"Fábrica de Violas"
Pouquíssima gente sabe, mas em nossas imediações, entre o final da década de 20 e o início da década de 30, havia no Sítio São Vicente, um fabricante de violas.
As informações e a viola, são do nosso constante colaborador, colecionador de histórias interessantes e fatos intrigantes, João Grego.
João descende de Antonio Moraes, o fabricante de violas. Segundo joão Grego, o seu tio Antonio, colocava um guizo de cobra cascavel dentro de cada viola.
O detalhe, é que Antonio Moraes, retirava o guizo sem matar a cobra. Com o coração e as mãos de artista, já se preocupava com a conservação da natureza e os seus sagrados seres.
O guizo de cobra cascavel, colocado no bojo da viola, segundo a tradição caipira, melhora o som anulando a vibração. Entretanto, também é da tradição caipira e da cultura dos violeiros, a crença na proteção contra o mal, quando se carrega o guizo dentro da viola, durante as toadas.
Serviria ainda, a presença do guizo, para emanar de si, a mesma destreza e agilidade da natureza das serpentes, contagiando a alma, e se manifestando nos dedos do violeiro, enfeitiçando assim as suas melodias, que se tornariam encantadas.
Agora o mais tocante de tudo isso, é que naqueles dias dos anos 20, o ponto que o nosso mago fabricante escolheu para vender as suas violas artesanais, foi a Estação de Trem do distrito de Alfredo Guedes.
E assim, dedilhando as cordas do sedutor instrumento, impregnando de musicalidade e feitiço as paredes vivas de nossa estação, vendia as suas violas, o artista artesão, embalando os caminhares das moças, Antonio Moraes, tio de João!
Antonio não teve filhos. Casou-se com Brasilina Vieira Bueno, irmã de dona Francisca Vieira Portes avó de João Grego.Seu legado, a sua arte e o acervo de histórias deixado para João. Bonito que chega a doer...
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Célia Motta.
terça-feira, 6 de março de 2018
"UNIVERSO FEMININO" / SOBRE O DIA 08 DE MARÇO
Quando vem se aproximando o Dia Internacional da Mulher, como mulher, tenho a obrigação de repetir um antigo texto, já escrito por mim, sobre as mulheres e tudo o que se camufla atrás dessa data comemorativa.
Como negra, tenho a obrigação com toda a minha ascendência ancestral, de bradar aos ventos, que conosco, ainda é mais difícil exercer a cidadania com total integridade.
Como alguém que sempre viveu a liberdade em sua plenitude, sem tabus, sem regras impostas, sem amarras religiosas, sem pais repressores, sem hipocrisia e sem falsos moralismos, devo bradar que ainda estamos gritando e deixando que o vento carregue os ecos de nossas vozes, ainda tão presas pelas instituições conservadoras. Devo delatar o pano de fundo e os porões dessa festa, ainda vã.
Não queremos a cultura tola, rasa e infrutífera, que nos transforma em bonecas teleguiadas, onde se desconsideram os nossos ideais mais intensos, de raízes mais profundas e se exaltam corpos que envelhecerão, sustentando uma cabeça sem legado.
Não queremos mitos imbecis e sem idéias inteligentes! Queremos gente!
Gente que carrega verdade e valores, princípios e sentimentos nobres!
Não queremos essa mídia que nos "coisifica" em relação ao homem, que nos subjuga e julga!
Exigimos respeito pois somos pessoas!
A torpeza nas falas de uma de nós, justificando um estupro ou um caso asqueroso de pedofilia, sobre a conduta liberal de muitas de nós, ou sobre as respostas físicas de um corpo infantil e um cérebro imaturo, nos enoja e envergonha a nossa casta.
A rudeza do machismo que brota em áridos desertos da alma, seja calcado numa sociedade demagoga ou em dogmas ignóbeis sem fundamento prático, descontextualizados da nossa realidade, desperta a nossa repulsa!
Eu, desconheço seres mais belos e profundos do que a face feminina do Criador: a mulher!
Mas ainda não entendo a troca de votos comemorativos, quando ainda escravizam a minha cor! Quando ainda esperam uma mudança de meus cabelos! Quando me estabelecem um modelo e um peso padrão! Quando ainda pensam ser possível limitar os meus atos! Quando querem me submeter a um rótulo! Quando recebo menos que o meu parceiro por um mesmo trabalho! Quando tenho uma sobrecarga de tarefas domésticas, por ser mulher! Quando se exige que a menina se porte de modo tímido em relação ao menino! Quando ouço:"Ah; mas ele é homem"! Quando renegam a beleza dos ciclos da menstruação! Quando negam a poesia da amamentação!
Quando uma mulher que sofre violência, passa de vítima a algoz de si mesma! Quando um pedófilo é apoiado por uma fêmea, seja ela mãe ou companheira!
Quando escuto que o aborto é praticado somente pela mãe! Quando escuto que somente a mãe abandonou o seu rebento ao relento!
Quando o filho é só da mãe!
Mentiras covardes estruturadas sobre padrões bíblicos, inúteis ao nosso tempo! Fantasmas sombrios de imbecilidade do passado distante, que transforma em bruxaria as nossas artes de amantes...
Que as labaredas do fogo das medievais fogueiras, que já nos queimaram cruelmente, destruam tamanhas correntes!
Que o vento carregue as suas cinzas dementes!
Para sempre...
Que vença a tolerância, que viva o diferente.
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Célia Motta.
Célia Motta
Como negra, tenho a obrigação com toda a minha ascendência ancestral, de bradar aos ventos, que conosco, ainda é mais difícil exercer a cidadania com total integridade.
Como alguém que sempre viveu a liberdade em sua plenitude, sem tabus, sem regras impostas, sem amarras religiosas, sem pais repressores, sem hipocrisia e sem falsos moralismos, devo bradar que ainda estamos gritando e deixando que o vento carregue os ecos de nossas vozes, ainda tão presas pelas instituições conservadoras. Devo delatar o pano de fundo e os porões dessa festa, ainda vã.
Não queremos a cultura tola, rasa e infrutífera, que nos transforma em bonecas teleguiadas, onde se desconsideram os nossos ideais mais intensos, de raízes mais profundas e se exaltam corpos que envelhecerão, sustentando uma cabeça sem legado.
Não queremos mitos imbecis e sem idéias inteligentes! Queremos gente!
Gente que carrega verdade e valores, princípios e sentimentos nobres!
Não queremos essa mídia que nos "coisifica" em relação ao homem, que nos subjuga e julga!
Exigimos respeito pois somos pessoas!
A torpeza nas falas de uma de nós, justificando um estupro ou um caso asqueroso de pedofilia, sobre a conduta liberal de muitas de nós, ou sobre as respostas físicas de um corpo infantil e um cérebro imaturo, nos enoja e envergonha a nossa casta.
A rudeza do machismo que brota em áridos desertos da alma, seja calcado numa sociedade demagoga ou em dogmas ignóbeis sem fundamento prático, descontextualizados da nossa realidade, desperta a nossa repulsa!
Eu, desconheço seres mais belos e profundos do que a face feminina do Criador: a mulher!
Mas ainda não entendo a troca de votos comemorativos, quando ainda escravizam a minha cor! Quando ainda esperam uma mudança de meus cabelos! Quando me estabelecem um modelo e um peso padrão! Quando ainda pensam ser possível limitar os meus atos! Quando querem me submeter a um rótulo! Quando recebo menos que o meu parceiro por um mesmo trabalho! Quando tenho uma sobrecarga de tarefas domésticas, por ser mulher! Quando se exige que a menina se porte de modo tímido em relação ao menino! Quando ouço:"Ah; mas ele é homem"! Quando renegam a beleza dos ciclos da menstruação! Quando negam a poesia da amamentação!
Quando uma mulher que sofre violência, passa de vítima a algoz de si mesma! Quando um pedófilo é apoiado por uma fêmea, seja ela mãe ou companheira!
Quando escuto que o aborto é praticado somente pela mãe! Quando escuto que somente a mãe abandonou o seu rebento ao relento!
Quando o filho é só da mãe!
Mentiras covardes estruturadas sobre padrões bíblicos, inúteis ao nosso tempo! Fantasmas sombrios de imbecilidade do passado distante, que transforma em bruxaria as nossas artes de amantes...
Que as labaredas do fogo das medievais fogueiras, que já nos queimaram cruelmente, destruam tamanhas correntes!
Que o vento carregue as suas cinzas dementes!
Para sempre...
Que vença a tolerância, que viva o diferente.
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Célia Motta.
Célia Motta
QUE SE FAÇA DENTRO DE CADA UMA DE NÓS, A REFLEXÃO DO QUE
REPRESENTA O DIA INTERNACIONAL DA MULHER, E COMO VIVEM DE FATO AS MULHERES NO
COTIDIANO. BUSQUEMOS A IGUALDADE!
QUE NÃO PERCAMOS DE
VISTA O QUANTO HÁ PARA COMEMORAR, MAS PRINCIPALMENTE, TUDO O QUE AINDA ESTÁ AÍ
PARA SER MUDADO.
QUE NÃO ABANDONEMOS A
LINHA DE FRENTE DO BOM COMBATE A SER PROTAGONIZADA POR NÓS, MULHERES.
QUE NÃO NOS FALTE
GRAÇA, GANAS E GARRAS.
QUE A MANSIDÃO E A
DELICADEZA JAMAIS SEJAM OMISSÃO E CONFORMISMO.
QUE NÃO NOS BASTE A
HOMENAGEM, MAS SIM O RECONHECIMENTO, A PLENA CIDADANIA, E A LIBERDADE.
QUE AS NOSSAS
ANCESTRAIS NOS ABENÇOEM E NOS INSPIREM!
QUE RESSURJAM EM NÓS,
DE DENTRO PARA FORA, BROTANDO JARDINS DE FORÇA E DE LUZ.
QUE A NOSSA RESPOSTA
AOS DESMANDOS E ÀS FOGUEIRAS DO PASSADO, ÀS HUMILHAÇÕES E À VIOLÊNCIA, À
EXPLORAÇÃO E À EXCLUSÃO SOB AS DIVERSAS FORMAS, À SOBRECARGA DE TAREFAS DOMÉSTICAS DO DIA A DIA; SEJA
O NOSSO SORRISO E AS NOSSAS AÇÕES ERGUENDO-SE PARA TODO O SEMPRE...
SEJA A
NOSSA CONTEMPLAÇÃO DA MÃE LUA A ILUMINAR A NOSSA INTUIÇÃO... A DESPEJAR BRILHO
EM NOSSAS ATITUDES.
QUE AOS NOSSOS OLHOS
DE AÇÚCAR, NUNCA FALTE O FOGO DO CONHECIMENTO E DA SABEDORIA.
E QUE NO FUTURO, NÓS
TENHAMOS MAIS E MAIS MOTIVOS EFETIVOS E CONCRETOS, PARA COMEMORAR O NOSSO DIA!
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Célia Motta
quinta-feira, 1 de março de 2018
"Musicistas do Tempo"
Essa belezura de fotografia, carrega perfumes que eu ainda não soube definir.
Carrega traços de uma poesia esquecida no fundo de uma gaveta que perdeu-se no tempo e no espaço. Carrega a força feminina da fertilidade... creio que seja a parte feminina de Deus, o seu olhar feminino mirado pela Mãe da Sabedoria, um braço afável e manso que tudo acolhe.
Carrega traços de uma formosura indefinível, que escorrega aqui e acolá, alternando o sábio e o imprudente, o resignado e o vidente, o sagrado e o profano, o sóbrio e o insano.
Deusa mãe e benfeitora, intelectual e protetora! Santificada força Criadora!
São as meninas de Anália.
Anália bela, Anália esperança, deixando sóis e sóis entrarem por janelas por ela abertas...
Anália também criança, fertilidade de alma, encantamento e bonança...
Carrega também, traças multiplicadas pelo passar das tantas e tantas horas...
Poeira fina faz névoa em minha visão, mas pulsam todas as verdades antigas em cada retumbar do coração... levante da história em cada resgate e em cada lapidação!
Misterioso garimpo em forma de musicalidade... notas entoando emoção.
Espelhos quebrados em penteadeiras de época, ainda guardam os reflexos das moças ajeitando os longos cabelos, pintando lábios de fresca carne.
Mas o vento que tudo leva, despenteia seus cabelos, descolore a sua pintura, empalidece sua pele... as traças roem suas vestes... se vão para muito longe, embaladas pela aguda voz do vento... Em lugares longínquos sentem o perfume do último vidro evaporado sobre a penteadeira! É esse o perfume!
Eu chamo por elas, grito por cada nome de mulher, peço a força da Mãe Lua.
E aqui elas regressam, retornam de cada reduto mágico escondido pois a Vida não cessa!
E com elas ressurge Anália, regente de vidas... Eterna...
E cada moça com o seu instrumento na mão... é a música que recomeça!
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Célia Motta.
Carrega traços de uma poesia esquecida no fundo de uma gaveta que perdeu-se no tempo e no espaço. Carrega a força feminina da fertilidade... creio que seja a parte feminina de Deus, o seu olhar feminino mirado pela Mãe da Sabedoria, um braço afável e manso que tudo acolhe.
Carrega traços de uma formosura indefinível, que escorrega aqui e acolá, alternando o sábio e o imprudente, o resignado e o vidente, o sagrado e o profano, o sóbrio e o insano.
Deusa mãe e benfeitora, intelectual e protetora! Santificada força Criadora!
São as meninas de Anália.
Anália bela, Anália esperança, deixando sóis e sóis entrarem por janelas por ela abertas...
Anália também criança, fertilidade de alma, encantamento e bonança...
Carrega também, traças multiplicadas pelo passar das tantas e tantas horas...
Poeira fina faz névoa em minha visão, mas pulsam todas as verdades antigas em cada retumbar do coração... levante da história em cada resgate e em cada lapidação!
Misterioso garimpo em forma de musicalidade... notas entoando emoção.
Espelhos quebrados em penteadeiras de época, ainda guardam os reflexos das moças ajeitando os longos cabelos, pintando lábios de fresca carne.
Mas o vento que tudo leva, despenteia seus cabelos, descolore a sua pintura, empalidece sua pele... as traças roem suas vestes... se vão para muito longe, embaladas pela aguda voz do vento... Em lugares longínquos sentem o perfume do último vidro evaporado sobre a penteadeira! É esse o perfume!
Eu chamo por elas, grito por cada nome de mulher, peço a força da Mãe Lua.
E aqui elas regressam, retornam de cada reduto mágico escondido pois a Vida não cessa!
E com elas ressurge Anália, regente de vidas... Eterna...
E cada moça com o seu instrumento na mão... é a música que recomeça!
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Célia Motta.
"Semeadura"
Eu falo dessa gente que carrega o bom gosto no sangue, a arte nos olhos e a cultura na alma.
Eu falo dessa raça, que não são muitos os que herdam, dessa força traduzida nos resultados e na música que rege os seus dias.
Falo dessa gente que tem a história como pão e transpiração.
Falo dessa gente que fazia Alfredo Guedes bailar no salão de cada coração.
Falo das peças de teatro ao ar livre!
Falo das exposições no Memorial Alfredo Guedes!
Falo dos discursos elaborados, em que se via não a inauguração, mas a semeadura do ponto de partida!
Falo de uma gente que percebeu as enormes perdas sofridas pelo Distrito, ao logo do tempo.
Falo de perdas econômicas e perdas históricas. Perda da memória dos ancestrais e perdas culturais.Falo daquilo que chamamos "garimpar... garimpar... garimpar...
Nilceu Bernardo, na abertura da Exposição Lençóis Viva, no Memorial Alfredo Guedes. Dias de intensa programação cultural... saudades...
guardiadelendas.blogspot.com
Célia Motta.
Eu falo dessa raça, que não são muitos os que herdam, dessa força traduzida nos resultados e na música que rege os seus dias.
Falo dessa gente que tem a história como pão e transpiração.
Falo dessa gente que fazia Alfredo Guedes bailar no salão de cada coração.
Falo das peças de teatro ao ar livre!
Falo das exposições no Memorial Alfredo Guedes!
Falo dos discursos elaborados, em que se via não a inauguração, mas a semeadura do ponto de partida!
Falo de uma gente que percebeu as enormes perdas sofridas pelo Distrito, ao logo do tempo.
Falo de perdas econômicas e perdas históricas. Perda da memória dos ancestrais e perdas culturais.Falo daquilo que chamamos "garimpar... garimpar... garimpar...
Nilceu Bernardo, na abertura da Exposição Lençóis Viva, no Memorial Alfredo Guedes. Dias de intensa programação cultural... saudades...
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Célia Motta.
terça-feira, 27 de fevereiro de 2018
"TUDO EM VÃO"
EU QUERO A CONSISTÊNCIA DOS VELHOS DIAS
EU QUERO A VALORIZAÇÃO DO QUE É SUBSTANCIAL E CARREGADO DE VERDADES
ETERNAS
TERNAS HISTÓRIAS, ETERNAS LEMBRANÇAS, CHEIROS ENVELHECIDOS,
ANÉIS PASSADOS DE MÃO EM MÃO, LONGAS TRANÇAS EM CABELOS JOVIAIS DE ESPERANÇAS
OS ANTIGOS DE HOJE, SÃO OS MENINOS DAS CANTIGAS DE RODA DA
PRACINHA
SÃO OS PULADORES DE CORDA DO RECREIO DO “CECÍLIA MARINS
BOSI”
SÃO OS SALTADORES DAS QUADRAS DE AMARELINHA DAS CALÇADAS
SÃO HOMENS DE GRANDE ENVERGADURA
MULHERES DE POSTURA
EU QUERO A INSERÇÃO DA CULTURA
EU QUERO O DESPERTAR NAS ALMAS TENRAS, DA LEITURA
QUERO FAZÊ-LOS ÍNTIMOS DO PENSAR
QUERO FAZÊ-LOS ÍNTIMOS DO PENSAR
EU QUERO RESSALTADA A NOSSA ORIGINALIDADE
A NOSSA HISTORICIDADE
O RESGATE DOS NOSSOS NOMES DE FAMÍLIA
QUERO MOSTRAR COM ORGULHO A NOSSA FORÇA E MAGIA
E VER AS LÁGRIMAS NOSTÁLGICAS DOS VISITANTES EM NOSSOS DIAS
QUERO VER POR REPETIDAS VEZES, VISITANTES DE OUTRO ESTADO,
COMO RAFAEL BOSO, NOSSO DOADOR DE MEMÓRIAS INESQUECÍVEIS
MAS, DE TUDO O QUE VEJO, OU DO NADA QUE É FEITO
HÁ SEMPRE LACUNAS
HÁ SEMPRE VAZIOS
E UMA NUVEM DE RESQUÍCIOS E RESPINGOS DE REPRESSÃO, DE
RESTOS DE FORÇAS PARALELAS, DE PODERES DISTORCIDOS DE UM MILITARISMO DECADENTE PAIRA INSISTENTE
E A PROFUNDIDADE DA BRASILIDADE DE CADA UM DE NOSSOS
RECANTOS, VAI SE PERDENDO EM TUDO O QUE É RASO E IMBECIL
DE PERDAS EM PERDAS, VAMOS NÓS, NOS PERDENDO EM INÚTEIS ENTRETENIMENTOS E TOLICES DE ALTO PREÇO
DA MESMA MANEIRA QUE
PERDEMOS A RIQUEZA DA NOSSA LÍNGUA, ESCOAM OS NOSSOS COSTUMES MAIS ARRAIGADOS
DERRUBA-SE ÁRVORES ANTIGAS
DESMORONA-SE A PRAÇA ACERCA DOS TRILHOS DA ESTAÇÃO DE TREM
COM ELA, VÃO-SE AO ESQUECIMENTO OS NOMES DO BOAVA, DO DITO
LIMA, DO SEGUNDO BOSO, DOS LOURENÇO, DOS HELENE, DO BEPÃO...
TODO O PASSADO, TODA A CONSTRUÇÃO DO QUE FOMOS, DO QUE
SOMOS...
TUDO EM VÃO
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Célia Motta.
quarta-feira, 27 de dezembro de 2017
"Família Giorgetti e Turcarelli"
Os irmãos Mara e Maurício, filhos de Candinho Giorgetti e Maria Turcarelli
Casamento de Candinho Giorgetti e Maria Turcarelli, celebrado pelo Padre João Novaes, na Igreja Matriz, em Lençóis Paulista, hoje, Santuário da Piedade.
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Célia Motta.
AI QUE DEVANEIO PODER ESCREVER SOBRE ESSES QUERIDOS NESTE
EXATO MOMENTO! OS IRMÃOS MARA E MAURÍCIO!
IMPOSSÍVEL NÃO
ULTRAPASSAR OS PORTAIS DO TEMPO E NÃO VÊ-LOS CHEGANDO NA MISTERIOSA ALFREDO
GUEDES, PELAS VIVAS ESTRADAS DE PARANHOS, JUNTO DE SEU PAI, CANDINHO GIORGETTI,
ÀS VEZES DE FUSCA E OUTRAS DE VARIANT BEGE, QUE COINCIDENTEMENTE, FORA COMPRADA
DE MEU AVÔ, JOSÉ LOURENÇO. ENGRENAGENS DO TEMPO MESTRE.
NOS RASTROS DE POEIRA
E PÓ, MISTURANDO-SE ÀS NOSSAS TERRAS INTENSAMENTE VERMELHAS, IAM FICANDO OS
RISOS INFANTIS, A ALGAZARRA DA FASE DE MENINOS COM BAGAGEM SURREAL... BAGAGEM
DE SONHOS... REALIDADES IMORTAIS... VOZES BENDITAS!
E NUM SÍTIO
ENCANTADO, ENTRE O BARULHO DAS ÁGUAS DO RIO EM QUE BANHAVAM-SE OS IRMÃOS, ÀS
ESCONDIDAS. ENTRE O CANTO DE PÁSSAROS QUE AINDA VISITAM O LUGAR. PRÓXIMO AO
MÁGICO E CINEMATOGRÁFICO CENÁRIO DA LINDA PARANHOS... GUARDADOS POR INFINITAS E
GIGANTESCAS SOMBRAS FRESCAS DE ARVOREDO... AH! ALÍ CONSTRUÍRAM SUAS MEMÓRIAS
DANDO UMA BELÍSSIMA CONTINUIDADE ÀS PÁGINAS DAS ANTIGAS MEMÓRIAS VIVAS DE MARIA
E CANDINHO, SEUS RESPEITÁVEIS E QUERIDÍSSIMOS PAIS. ETERNOS!
DEIXANDO MARCAS
PROFUNDAS NA ALMA DE PARANHOS E NOS SÍTIOS DAS REDONDEZAS... OUVE-SE AINDA
GRITOS E RISADAS DOS MENINOS VOLTANDO DA ESCOLA DE PARANHOS... A FAZER FESTA EM
DIAS DE RECREIO EM FRENTE À IGREJA... AMORES PELA PROFESSORA SAÍDA DOS CONTOS
DE FADAS. BRIGAS INOCENTES, CADERNOS ESPALHADOS EM POÇAS DE MÁGICOS RESTOS DE
CHUVA. ÁGUA FÉRTIL A MOLHAR MENINOS E MENINAS DESABROCHANDO EM FUTURO PLENO!
E A MENINA DE APELIDO
TRANSFIGURADO EM PEQUENO MIMO... SEMPRE JUNTO A ELES... DE APELIDO
"PINGO"... MISTURA DE ÁGUAS SANTAS... AS GOTAS DE CHUVA E "PINGO”.
RELUZENTES SOB O SOL QUE SEMPRE RETORNA...
E ANTES DELES...
QUANTA BELEZA E
POESIA ANTES DELES...
SIGAMOS CONTANDO...
SIGAMOS CONTANDO MAIS UM TANTINHO, SOBRE OS LAÇOS ENTRE OS
GIORGETTI E OS TURCARELLI.
MARIA... AMOROSÍSSIMA...
MARIA TURCARELLI.
SANGUE DE PAGINO E
DONA LUCIA. QUANTO TEMPO JÁ FAZ!
VOLTEMOS NÓS, ENTÃO,
PELOS NOSSOS PORTAIS, NOSSAS PASSAGENS SECRETAS, QUE ABREM CAMINHO PARA O VELHO
SÍTIO DE PAGINO, PAI DE MARIA.
OS DIAS SÃO DE SOL E
VERDES SÃO AS PAISAGENS NA PARTE ALTA, LOGO ACIMA DO RIO LENÇÓIS... LADEADOS
PELA TRADICIONALÍSSIMA FAMÍLIA BOSO, E PELOS LENDÁRIOS, JULIO LOURENÇO E
CLOTILDE PINHEIRO DE FREITAS.
AS MATAS FECHADAS
CONTORNANDO AS NOSSAS ABENÇOADAS ÁGUAS. IMPONENTEMENTE VERDE!
LÁ AO LONGE O
"CATETINHO" FAZ PEQUENAS BORBULHAS SOB O TÚNEL DE PEDRAS...
E A REALIDADE DE NOSSA
AMOROSÍSSIMA E CATIVANTE MARIA ERA O SEU SÍTIO, SEUS PAIS E IRMÃOS... ROSA,
MARIANA, CIDA... NÃO ME RECORDO DE TODOS... MAS OUÇO A MOENDA E A RODA A
GIRAR... GIRAR... MOENDA DE SONHOS DA JOVEM MENINA GIRANDO ILUSÕES!
MACHADOS ROMPEM
MADEIRAS EM TRONCO E DISPERSAM SEUS SONS CORTADOS EM ECOS.
A OLARIA MOLDA SEUS
ARTEFATOS CONSTRUTORES DE LARES, PEQUENOS BLOCOS A FAZER HISTÓRIA NA NOSSA
REGIÃO.
E MARIA COMEÇA A
SENTIR OS PRIMEIRO LAMPEJOS DE PAIXÃO EM SUA ALMA... SEU CORAÇÃO GRITA NO
COMPASSO DE SEU PULSAR, E ELA SABIAMENTE, ATENDE AOS PEDIDOS DE SUA ALMA
FEMININA.
SUA SENSIBILIDADE JÁ
NÃO É A PURA E SIMPLES DE ANTES... AGORA PERCEBE SONS E CORES, ANTES
IMPERCEPTÍVEIS. ESCUTA SEUS SONHOS POIS TEM CERTEZA DE QUE ELS FALAM COM ELA.
MARIA APAIXONARA-SE
POR CANDINHO GIORGETTI!
E COM A ATITUDE MAIS
POÉTICA E DELICADA POSSÍVEL, COMEÇA A ESCREVER PEQUENOS E DOCES BILHETES PARA
CANDINHO.
E, O CORAÇÃO
SENSÍVEL, ENSINA-LHE: ""DEIXEMOS OS NOSSOS BILHETES COM O TONICO DO
BAR, E ELE OS ENTREGARÁ AO NOSSO AMADO""...
E ASSIM MARIA FAZ!
ESCREVE... ESCREVE... LAPIDANDO SEUS SONHOS DE MOÇA ENAMORADA. ESCREVE AS PRIMEIRAS LINHAS DAQUELA QUE SERIA
A SUA HISTÓRIA DE VIDA... ESCREVE PARA AQUELE QUE SERIA SIM O PAI DE SEUS
FILHOS. O HOMEM DE SUA VIDA!
E TONICO OS ENTREGAVA
A CANDINHO. QUE JÁ SE SENTIA TOMADO DE AMORES POR MARIA.
OS DIAS PASSAVAM SOB
O DOURADO SOL DO SÍTIO DOS TURCARELLI. O TEMPO DEIXAVA QUE MARIA ESCREVESSE...
ESCREVESSE... E A RODA GIRAVA... GIRAVA AS MOENDAS DE AMOR E SONHO... RODA DA
VIDA... GIRO DO MUNDO... DA CHEGADA E PARTIDA DAS ALMAS... DOS ENCONTROS E
REENCONTROS DE ALMAS... AS MAIS APAIXONADAS... ÍMPETOS DE VIDA LATENTE! SEMPRE!
E SEGUNDO A MEMÓRIA
DOS MAIS ANTIGOS, NUMA TARDE DE FESTA EM APARECIDINHA DE SÃO MANUEL, QUANDO
TODOS FESTEJAVAM E REVERENCIAVAM A VIRGEM, BRAÇO DIREITO DO CRIADOR... ALGO
SURREAL ACONTECE NO SÍTIO DE, EM RESPOSTA AOS ESCRITOS DE MARIA... MARIA,
TAMBÉM FILHA DE MARIA, A SANTÍSSIMA!
NO GIRO DA RODA E NO
BARULHO DA MOENDA, ASSISTIDOS PELO INCESSANTE BORBULHAR DO CATETINHO, PELOS
APITOS LONGÍNQUOS DO TREM, CONTEMPLADOS PELAS ÁGUAS DO RIO LENÇÓIS E SUAS VIVAS
MATAS A CANTAR LOUVORES À VIRGEM PELO SEU DIA... CANDINHO PEDE A MÃO DE MARIA
POETA, AMOROSÍSSIMA, EM CASAMENTO!
E O VENTO SOPROU... A
RODA GIROU... A MOENDA CANTAROLOU AS POESIAS DE MARIA... LUZES ESPALHARAM-SE DE
DENTRO DA MOÇA TRANSFORMANDO-A EM MULHER...
FOI ASSIM QUE TUDO
COMEÇOU NOVAMENTE PARA UMA GERAÇÃO DE AMORES, POEMAS E LOUVORES!
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Célia Motta.
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Célia Motta.
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