quinta-feira, 14 de junho de 2018

Triste sepultamento!

Assim estamos, parados no tempo. Com uma obra que vem se estendendo desde setembro passado, salvo engano.


Passando da história para a desolação do "nada", o barro, devagar vai carregando as nossas histórias e enterrando as nossas memórias.
Fazendo parte do Conselho Municipal de Turismo, o titular representante da cultura local, e como se vê, sem entender absolutamente nada da mesma, segue dirigindo e secretariando o Distrito de Alfredo Guedes. Distrito este, fadado ao esvaziamento, aniquilação e inviabilização de tudo que no passado fora semeado por tantos e tantos protagonistas, todos nativos do lugar.
Assim como hoje o nosso Memorial repousa em torpe sono hipnótico, por conta de ali não haver mais nenhum evento cultural, o Distrito segue de modo simplório, esmolando o tal "jeitinho brasileiro", tão e cada vez mais presente na nossa estranha nação. Quebrando pequenos galhos aqui e acolá, sem conseguir dizer ao certo, à que foi que veio, o comando local não consegue desempenhar o mínimo necessário para o turismo local, como se pode verificar na tamanha destruição histórica. Engajado com sabe-se lá quem e com o que, abre para nós, e quando digo nós, falo dos guedenses de sangue e de alma, um tremendo leque de hipóteses, pois como pode alguém fazer parte do conselho municipal de turismo (com minúsculas mesmo), sem efetuar nenhum evento num local passível de tanta exploração de costumes, hábitos, personagens, recursos naturais e memória? Que negociata seria essa, em que até agora não se houve falar em educação patrimonial? O que será apresentado aqui, em termos turísticos?
É para se pensar... vou aqui acrescentando... conforme os dias passam...  De início, até elogiei a criação de uma diretoria para o nosso Distrito. Mas, retiro integralmente o dito, haja vista o desastre em potencial. Sem diretores, sem secretários, contando com a extrema boa vontade dos funcionários que no passado foram nomeados, nós caminhamos muito mais e muito melhor.
E, para descontrair, seguíamos sem termos as nossas garagens e portões trancafiados por blocos pesadíssimos de concreto, cuidadosamente e engenhosamente preparados para a minha chegada em casa. Então eu pergunto: "Jura por Deus que eu tenho cara de quem se amedronta com esse tipo de traquinagem de infantes travessos"? Aqui é aroeira. Vem e volta.
Eu, aqui vou seguindo, firme com o meu candidato a prefeito de sempre. Mas em meio a falência de praticamente tudo o que é institucional nessa nossa estranha nação, ando pensando muito sobre o que seria de maior protesto na esfera estadual e federal: não comparecer nas urnas e pagar parcas quantias à justiça eleitoral, ou comparecer e simplesmente anular a validade de minha procuração a outrem, posto que não poderei outorgá-la além de Marise, pelo fato de que além dele, ninguém, mas ninguém mesmo me representa.
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                                                                       Célia Motta.

terça-feira, 15 de maio de 2018

POSSE DE EDUARDO AYRES DELAMONICA NA ACADEMIA BOTUCATUENSE DE LETRAS



Mais que merecida, a cerimônia de posse do pesquisador e escritor Eduardo Ayres Delamonica, ocorrida em 11 de maio do corrente ano, na Academia Botucatuense de Letras.
Acolhido com mérito no ninho de intelectuais, Delamonica vai marcando as suas passadas pelo caminho, com um trabalho rico, de produção detalhada e belíssima.
Minhas reverências a tão conceituada personalidade.
Detentor de uma capacidade ímpar para o resgate da história e das grandes personagens regionais, Delamonica é hoje, sem nenhuma sombra de dúvida, a maior fonte de inspiração para os que querem garimpar o passado.






Célia Motta.                                                             
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quinta-feira, 3 de maio de 2018

"OLHOS DE BRANDINA"






                           Brandina Maria de Jesus, esposa de José Galdino, moradores da Fazenda Boa Vista.
                           Brandina faleceu em 1961, 37 anos depois do trágico e estranho caso da morte de sua filha Maria Francisca aos 22 anos de idade. Em breve, teremos a publicação de meu primeiro livro, que traz a pesquisa aprofundada e os documentos que fundamentam a veracidade dos fatos dessa história e de meus antepassados.          Célia Motta.

ALMA VIAJANTE, FILHA DE BRANDINA.
BUSCA QUE SEMPRE ME DESEMBOCA AO FINAL, EM VOCÊ, BRANDINA MARIA!
TODO ESSE TEMPO FOI MAIS QUE NECESSÁRIO PARA REENCONTRAR MAIS ALGUNS DOS NOSSOS.
ENCONTRO-ME NA MELANCOLIA DE SEU OLHAR E NA ANGÚSTIA DE SUAS MARCAS.
MINHAS MARCAS.
A MESMA AFLIÇÃO DAS PERGUNTAS QUE EU TAMBÉM ME FAÇO, OUÇO VOCÊ FAZER.
VOCÊ BUSCOU EM TODA A SUA VIDA, E REGRESSOU À NOSSA ANTIGA PÁTRIA, A ESPERAR. ESPERAR POR ESSA BUSCA: MINHAS DESCOBERTAS.
 SEGUIMOS.
 SIGO A PROCURAR INCANSAVELMENTE ENTRE AS DENSAS MATAS DE SUAS TERRAS, QUE TAMBÉM FORAM MINHAS UM DIA. HÁ COISAS A SEREM TIRADAS DE LÁ. HÁ QUE SE QUEBRAR O PACTO DE SILÊNCIO. HÁ QUE ROMPER-SE COM O SACRIFÍCIO.
 AOS POUCOS PERCEBO DENTRO DE MIM, A SATISFAÇÃO DE MEU ESPÍRITO POR RESGATAR MINHAS MENINAS E MENINOS DO MOMENTO PRESENTE, DESCENDENTES DE NOSSAS ALMAS.
 ENTRETANTO, ALGO SE AGITA NOS MEUS RECÔNDITOS MAIS PROFUNDOS.  ALGO QUE EXIGE PRESSA. O MEU AMOR MAIOR, A JUSTIFICATIVA DE MINHA VINDA ANTES DOS OUTROS, A VONTADE DE REUNIFICAÇÃO E REUNIÃO, URGE.
MINHA PRESSA É A URGÊNCIA DE MINHA PEQUENA PÉROLA... E SEI QUE ESTOU NO CAMINHO... OUTROS A TEM SENTIDO E PERCEBIDO TAMBÉM...
RESPOSTA AOS OLHARES INQUIETOS DA ALMA DE BRANDINA, EM CONSONÂNCIA COM OS MEUS MAIS ÍNTIMOS ANSEIOS.
 E OUÇO DO HOMEM QUE ME ORIENTA DESDE OS TEMPOS ANTIGOS, DOS QUAIS NEM TRAGO MAIS A LEMBRANÇA, APENAS O AMOR E A CONFIANÇA:
 "QUERIDA, VOCÊ AINDA NÃO PODE QUEBRAR A "TAÇA" QUE REPRESENTA O VÍNCULO COM A SUA PÉROLA... HÁ QUE SE FAZER CERTO ENCONTRO ENTRE VOCÊS DUAS AINDA, E ATÉ LÁ ELA NÃO ESTILHAÇARÁ. FALTA A VIDA DAR-LHE AINDA, UM ENSINAMENTO E UM SORRISO QUE AINDA NÃO TENS! ACALME-SE MINHA MENINA”!
 E EU ACREDITO. ACEITO. SEI QUE ELE SABE, POIS TAMBÉM ESTEVE LÁ, NAS MATAS DA BOA VISTA. E ATÉ DEIXO QUE ME CHAME DE "MARIA, MINHA MENINA".
SIM!!! O SORRISO PELO QUAL VIAJEI ATÉ AQUI, SORRISO AUSENTE QUE ME FEZ AMARGAR A VIDA PASSADA DOS MEUS, SORRISO QUE FALTOU A MIM PRÓPRIA, POR TÃO DOLOROSA SEPARAÇÃO. 
PÉROLA AMADA MINHA, QUE ME PEDIU ATRAVÉS DA MÚSICA PARA QUE EU LHE ESPERASSE REGRESSAR DO REINO, QUE SENTIU ALÍVIO POR EU TE-LA ENTENDIDO, QUE TEVE SEU CORAÇÃO ROUBADO PELO MEU, QUE ME ENTREGOU AS SUAS MÃOS DURANTE O NOVO CAMINHO,QUE NÃO SABIA MAIS DE ONDE VINHA E NEM POR ONDE SEGUIRIA. RESPONDO-LHE QUE SIM. SIM EU ESPERAREI POR VOCÊ! NAS MINHAS LÁGRIMAS E NO MEU SANGUE. E ACEITAREI COMO MEU, O SEU TEMPO, SEJA ELE QUAL FOR. E EU, SOMENTE EU, ABRIGAREI VOCÊ PARA SEMPRE... E ENTÃO ME TORNAREI PLENA E ABSOLUTA! SÃO PROMESSAS MINHAS.
EU, MARIA FRANCISCA.

                                                                                                         guardiadelendas.blogspot.com
                                                                                                         CÉLIA MOTTA

quarta-feira, 25 de abril de 2018

ALMAS DANÇANTES




TANGOS E BOLEROS EXERCEM UM PODER ABSOLUTO, NAQUELES SERES QUE OS APRECIAM VERDADEIRAMENTE. O TANGO PELA VOLÚPIA, O BOLERO PELO ENCANTAMENTO.
 AS NOTAS GRAVES DE UM TANGO VIBRAM NO MAIS PROFUNDO DE MEU VENTRE, EM PROFANA POESIA.
 ENCONTRO-ME A DIVAGAR DE OLHOS FECHADOS, EM MÍSTICA CUMPLICIDADE COM O CAVALHEIRO A GUIAR-ME, ENTREGUE ÀS VEREDAS QUE ELE E TÃO SOMENTE ELE TRAÇA. TRAÇADO PROFANO.
 SENSUALÍSSIMO ENTRELAÇAR DE PERNAS QUE PISAM PRESENTE E PASSADO NUMA MESMA BUSCA... VOLÚPIA. LUXÚRIA.
 RITMO DESENFREADO QUE EMBALA OS AMANTES EM FÉRTEIS NOTAS. PROFANO AMOR DE FEITIÇOS. SANTIFICADO PELO ENTUSIASMO.
ENTUSIASMO! DEUS DENTRO DE SI! DEUS DENTRO DE NÓS!
 AMORES QUE DOEM, SAUDADES QUE AFLORAM. SÚBITOS DESEJOS FAZEM ENTÃO DESABROCHAR A MULHER ESCONDIDA EM MIM! DESABROCHA EM VIVO FLORESCER! FACES ARDENTES NO CRESCER DO TANGO. SEIVAS MISTERIOSAS NO CRESCER DOS DESEJOS!
 EXPRESSÃO DO AMOR CARNAL! POESIA VISCERAL!
 BELEZA ENCONTRADA NO MORRER E NASCER NOVAMENTE, NUMA INCESSANTE REPETIÇÃO DE PASSOS. ÁPICE DO ÊXTASE.
 DESFALECIDA, RECOMEÇO A OUVIR OUTRAS NOTAS. DOCE E MÁGICO ENCANTAMENTO DE UM BOLERO. EXPRESSÃO DO AMOR ETERNO. HISTÓRIAS GRAVADAS EM MINHA ALMA DE MULHER.
 ACORDO EM UMA VELHA CASA DE MADEIRA ESCURA, COM POUCA LUMINOSIDADE, DEVAGAR, AO SOM DO BOLERO, DEITADA NO CHÃO, PERCEBO SUSSURROS A ORIENTAR-ME... DIZEM QUE SEMPRE FUI DALI E PERTENÇO A CASA. O TECIDO DE MINHA ROUPA FALA COM A MINHA PELE. TUDO É EMOÇÃO A MATERIALIZAR-SE. ABRE-SE UM SALÃO E UM ESPÍRITO DE HOMEM, VEM E ME LEVANTA. O CAVALHEIRO DE SEMPRE... TERNO E ETERNO.
 ESPÍRITO AUSTERO A PROCURAR-ME... ENCONTROU-ME!
 SUAS SÁBIAS MÃOS E SEUS FORTES BRAÇOS GUIAM-ME NA MÚSICA DE PROMESSAS. UMA LANGUIDEZ TOMA CONTA DE MIM. É A AVIDEZ DE SUA POSTURA?  OU SERIAM AS SÚPLICAS DE SEU OLHAR, CONTANDO-ME DO PASSADO DISTANTE? E É PARA LÁ QUE ME LEVA. E EU VOU. QUERO MESMO IR COM ELE.
 ENTREGO-ME AO AMOR EM MÚSICA. UM SENTIMENTO ENSURDECEDOR APOSSA-SE DE MIM, CALMAMENTE!
 UMA PROFUSÃO DE SENSAÇÕES CONSOME MINHA VONTADE FEMININA... MULHER RENASCIDA!
 ENTREGO-ME. INCENDIÁMO-NOS. RITUAL DE RENOVAÇÃO. AMOR DE PERDIÇÃO!
 DESFALEÇA-ME, TANGO.
 DERRETA-ME, BOLERO.
 CONDUZA-ME, CAVALHEIRO, PELOS CAMINHOS QUE AINDA RECORDAS.


                                                                                                
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terça-feira, 24 de abril de 2018

TEMPO MÁGICO



              Dona Ivete, a pequenina Carmen Sílvia e José Lopes.


MINHA AMIGA CARMEN SILVIA LOPES ENVIOU-ME ESTA PRECIOSIDADE DE IMAGEM: 
 CARMEN SILVIA, A PEQUENINA, SEU PAI JOSÉ ÁLVARO LOPES E SUA MÃE, A MINHA ETERNA E SÁBIA PROFESSORA, IVETE ELIAS! IVETE A QUEM DEVO TUDO QUE APRENDI. PORTANTO, MINHAS SINCERAS REVERÊNCIAS!
 O REGISTRO É DE MEADOS DOS ANOS 60. FAZENDA IRARA, FAZENDA EM QUE REPOUSAM FATOS HISTÓRICOS, O APOGEU DO CAFÉ E DA POLÍTICA PAULISTA, ETERNIZADOS NA FAMÍLIA BARROS.
 EU CREIO QUE NÃO SEI BEM O QUE DIZER TANTO DE DONA IVETE QUANTO DE ZÉ LOPES, COMO NÓS SEMPRE O CONHECEMOS.
 O CASAL FOI MUITÍSSIMO AMIGO DE MEU PAI, O MOTTA.  EU ME LEMBRO DA PERUA ALARANJADA QUE ELES TINHAM, E DE QUANDO TODOS NÓS VÍNHAMOS PARA LENÇÓIS. DONA IVETE VINHA CANTANDO COM O MEU PAI... CANTAVAM BEM... "PÉROLAS" IMORTALIZADAS NAS VOZES DE CASCATINHA E INHANA... E NOSSOS OUVIDOS RECEBIAM CASCATAS DE NOTAS MUSICAIS DO BOÊMIO POLÍTICO E SUA PARCEIRA, A CANTORA PROFESSORA. PEQUENA EM TAMANHO E COM A GRANDEZA NO TIMBRE DE SUA PODEROSA E EMOCIONADA VOZ. NOSSAS ALMAS ENCANTAVAM-SE COM AQUELAS POESIAS PARA A ALMA.
 E O ZÉ LOPES, SEMPRE PARCEIRÍSSIMO DE MEU PAI! NA MILITÂNCIA POLÍTICA E PARTIDÁRIA, NA VITÓRIA, NA DERROTA, NA "PINGUINHA” ANTES DO ALMOÇO, E OBVIAMENTE, NAS GARGALHADAS! NAQUELAS TARDES SE SOL GUEDENSE, MINHA MÃE QUE SEMPRE NOS ACOMPANHAVA, TRANSBORDAVA AS SUAS POESIAS DE SEU SILENCIOSO E SURREAL OLHAR. MINHA MÃE NUNCA PRECISOU MUITO DE PALAVRAS PARA SE EXPRESSAR, E SUAS MÚSICAS SEMPRE FORAM CANTADAS PELO SEU ESPÍRITO VIAJANTE. SUAS RESPOSTAS DE VERDADEIRO ORÁCULO SE FAZIAM NA DANÇA DE SUA RESPIRAÇÃO.
 RECORDO-ME VAGAMENTE, DE UMA PASSAGEM NOTURNA, EM QUE DONA IVETE E ZÉ LOPES COMPRARAM UM CARRO, UM OPALA DE COR ESCURA, EU CREIO, E PASSARAM EM NOSSA CASA PARA UM PEQUENO PASSEIO, QUE SALVO ENGANO, DEVE TER SIDO PARA TOMAR SORVETES.
 VIZINHOS NOSSOS, PARCEIROS INCRÍVEIS.
 MAS TANTO EU COMO MINHAS AMIGAS E AMIGOS QUE FOMOS SEUS ALUNOS, NOS FIXAMOS NA MESTRA MARAVILHOSA QUE ELA SEMPRE FOI. EXÍMIA EDUCADORA, COM O PORTUGUÊS ABSOLUTAMENTE IMPECÁVEL, COMPETENTÍSSIMA EM SALA DE AULA, IMPREGNOU-SE EM NÓS! AINDA ESTÁ AQUI DENTRO DE MIM. E ESTÁ DENTRO DOS OUTROS, CERTAMENTE.
 E EM SUAS ATIVIDADES, O CULTO À BANDEIRA TINHA REALMENTE UM IDEAL ESTADISTA, NAS POESIAS DAS COMEMORAÇÕES CÍVICAS HAVIA UMA SONORIDADE VOCAL AUSTERA E FORMAL... MAS O INESQUECÍVEL MESMO ERA QUANDO CANTAVA PRA NÓS NOS FINAIS DE AULA: "o céu mais lindo, mais cor de anil...” OUTRAS VEZES ERA "se essa rua, se essa rua fosse minha, eu mandava ladrilhar, com pedrinhas, com pedrinhas de brilhantes..." E O NOSSO AMOR PASSAVA E PASSAVA POR ESSAS RUAS DE PEDRAS HISTÓRICAS DE INESTIMÁVEL VALOR. E O CÉU MAIS LINDO, NOS ASSISTIA EM PROSAS E EM VERSOS, INDO E VOLTANDO NO TEMPO.
 E NÓS, NA SENSIBILIDADE BRUTA DE CRIANÇA, ÍAMOS EMBORA PARA AS NOSSAS CASAS, COM UM BRILHO DE ENTUSIASMO NOS OLHINHOS QUE TENTAVAM IMAGINAR O FUTURO. NA BAGAGEM DA ALMA, O ENCANTAMENTO QUE ELA DERRAMAVA, EMBEBIA AS NOSSAS EMOÇÕES MAIS CARAS!
 SEMPRE LECIONANDO EM NOSSO AMADO LUGAR, NOS DEU A HONRA E O PRIVILÉGIO DE SERMOS ALFABETIZADOS POR ELA. E DEU AO DISTRITO DE ALFREDO GUEDES, O PRESENTE DE TER ALFABETIZADO VÁRIAS GERAÇÕES.
 RECORDO-ME DE SUA ELEGÂNCIA ESCREVENDO NA LOUSA, DE BLUSA ESTAMPADA ACINTURADA POR UM CINTO DO MESMO TECIDO, SOBRE A CALÇA SOCIAL, METICULOSAMENTE BEM CORTADA.
 RECORDO-ME DE SUAS MÃOS MORENAS E LINDAS, AS UNHAS CLASSICAMENTE BEM FEITAS COM ESMALTE VERMELHO, DEBRUÇANDO-SE SOBRE NOSSAS CARTEIRAS A FAZER CORREÇÕES NOS EXERCÍCIOS. PERFEITA! AUSTERA! IMPECÁVEL!
 E EU NÃO PODERIA DEIXAR DE RESGATAR A MARAVILHA QUE ERAM OS BOLOS DE ANIVERSÁRIO QUE ELA FAZIA PARA AS FILHAS, BRILHANTES DE CONFEITOS DE BOLINHAS PRATEADAS ADORNANDO UMA MASSA LEVE, RECHEADA COM UM CREME VERMELHINHO QUE REMETIA A TODAS AS FRUTAS VERMELHAS. NUNCA MAIS COMI IGUAL.
TENHO COMIGO UM VERDADEIRO TESOURO EMOCIONAL DE GUARDADOS, QUE EM REALIDADE EU NEM ME LEMBRO, MAS MINHA MÃE AINDA ME CONTA QUE QUANDO EU NASCI, FOI A DONA IVETE QUE CUIDOU DE MEU UMBIGO DE BEBÊ, ATÉ QUE ELE CAÍSSE. TODO O SEU CUIDADO E ZELO, FORAM DADOS AOS MEUS PRIMEIROS DIAS, PERFUMANDO OS MEUS PRIMEIROS BANHOS DE ETERNA SAUDADE E INFINDÁVEL GRATIDÃO.
                            Dona Ivete, competentíssima professora do Distrito de Alfredo Guedes.

 AO SAIR DA ESCOLA CECÍLIA MARINS BOSI, A PROFESSORA IVETE SEMPRE DAVA UMA PARADINHA SOB A LINDA PRIMAVERA DA CASA DE MINHA AVÓ LAZINHA. ALI NO PORTÃO TROCAVAM UM DEDILHAR DE PROSA, AINDA ANTES DO ALMOÇO, ELA, MINHA AVÓ, MINHA MÃE E MINHA TIA NADIR.
EM NOSSAS AFINIDADES, MAIS TARDE, NA MINHA VIDA ADULTA, ADQUIRIMOS COM AS PODAS E CORTES DO PASSAR DO TEMPO, A DIFICULDADE DE FALAR DA PASSAGEM DE MEU PAI. TODAS AS VEZES QUE O FIZEMOS, CHORAMOS MUITO DE SAUDADES.
 EU DO MEU PAI. ELA DO AMIGO LEAL, DO BOÊMIO POLÍTICO QUE CANTAVA LINDAMENTE NUMA PERFEITA SINTONIA COM ELA, TODO O ARSENAL CULTURAL, IMORTALIZADO NAS VOZES DE PERLA, BELMONTE E AMARAÍ, CASCATINHA E INHANA E NELSON GONÇALVES.
 E O ZÉ, JÁ FAZ TEMPO QUE NÃO VEJO. MAS CREIO QUE NADA TENHA MUDADO EM SUA LEALDADE E BOM HUMOR DE SEMPRE. O TEMPO PASSOU, AGREGOU COISAS EM NOSSAS BAGAGENS E EM NOSSAS MEMÓRIAS.
 MAS A NOSSA ALMA SEMPRE HÁ DE DEIXAR-SE FLORIR APÓS CADA PODA QUE A VIDA DÊ.
 O AMOR NÃO PASSA PARA OS BONS. E O ENTUSIASMO NUNCA HÁ DE NOS FALTAR!
 POIS JÁ FOMOS IRREMEDIAVELMENTE CONTAGIADOS E SEDUZIDOS PELO BELO E PELO DIVINO... AGRACIADOS, TODOS NÓS! 
                                                                                          
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                                                                                            Célia Motta.

quinta-feira, 5 de abril de 2018

O lendário "Chico Peão"



Figura das mais relembradas entre os mais antigos, inspirador das mais contagiantes ondas nostálgicas, alma iluminada e coração de bondade é o nosso memorável do dia de hoje: Chico Peão.
Moço bonito e elegante, carregando a força e a poesia de suas raízes ancestrais na sua bela cor, viveu na Guardiã de Lendas, honrando a imortalidade de nosso garimpo.
Casou-se com a não menos lendária, Dona Rosa, e foi padrasto do nosso inesquecível amigo Belo, pelo qual eu tenho imenso respeito, devido ao tempo mágico que passei com todos os filhos de Belo e Dona Elza, a sua esposa, nora de Chico.


Belíssimo também, o charmoso Chico Peão, segundo contam, era um apaixonado por músicas regionais, músicas genuinamente caipiras, tendo uma preferência notória por catiras.
E quando estava ouvindo algo caro para a sua alma de bom gosto, nem adiantava chamá-lo ou cumprimentá-lo, tamanho o devaneio de Chico. Era impossível trazê-lo de suas viagens de poeta nato.
A imagem aqui publicada, é uma das tantas que embelezam o antigo álbum da Família Lourenço, pois a família toda tinha grande amizade com o garboso moço de pele e musicalidade preciosas.
Chico Peão trabalhou tempo para o senhor Macedo Antonio Fidélis, na Fazenda Reserva, lá para os lados da Água de Lençóis.
E hoje, aqui ouvindo Cascatinha e Inhana, cantando "Flor do Cafezal", imaginando os antigos cafezais coloridos e as alegres colheitas, pensando no ar que exala a beleza dos grãos em flor, pensei em Chico... e como eu gostaria de tê-lo conhecido... como eu queria... flor do cafezal, Chico em flores exaltado... Peão a girar... Venha conosco, bailar... bailar...

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                                                                                             Célia Motta.



segunda-feira, 2 de abril de 2018

"INVERNOS LONGÍNQUOS"


MARAVILHOSO COMO AS PESSOAS QUE NOS RODEIAM EM TENRA IDADE NOS MARCAM E NOS CARACTERIZAM... CONSTROEM OS PILARES DE NOSSA MAIS PROFUNDA IDENTIDADE!
 NAS ÚLTIMAS NOITES TENHO DIVAGADO, E DIRIA ATÉ QUE TENHO VAGADO POR CERTOS ESPAÇOS NO TEMPO E NA ALMA, ESCONDERIJOS COM PEQUENAS LUZES FOSCAS E AMARELADAS, ESPALHADAS PELOS CANTOS... DAQUILO QUE CONSIGO CAPTAR DE FATO, TUDO SE PINTA EM MARROM E DOURADO. CORES DESBOTADAS PELO TEMPO, PÉTALAS DE ROSAS RESSECADAS PELO CONSTANTE CAMINHAR DOS PONTEIROS DO VELHO RELÓGIO QUE MEU AVÔ RELIGIOSAMENTE ACERTAVA TODOS OS DIAS COM A PEQUENINA CHAVE. ALI SOBRE A CADEIRA, AQUELE HOMEM DE AR AUSTERO, FIRME E CHEIO DE HISTÓRIAS, CASOS E CAUSOS, AINDA ESTÁ A ACERTAR OS PONTEIROS DO SEU TEMPO. A MADEIRA DO CHÃO ESTALA QUANDO ELE DESCE E CAMINHA DOIS OU TRÊS PASSOS, A PARAR NA PORTA E ASSISTIR UM POUCO DO NOTICIÁRIO DA TV EM PÉ.
 SEMPRE FAZIA ISSO... E O VEJO LÁ...AGORA.
 BATIDAS NA PORTA DA FRENTE ANUNCIAM O MOMENTO MAIS ESPERADO DURANTE TODO O DIA: NADIR ESTÁ CHEGANDO. FICARÁ CONOSCO ATÉ ALTÍSSIMAS HORAS ESPERANDO ELIZEU, SEU MARIDO E MEU TIO INESQUECÍVEL, QUE CHEGARÁ DE TREM!
 TIOS QUERIDOS E INSUBSTITUÍVEIS! ELA, A BELA MULHER DA FOTO EM PRETO E BRANCO, IRMÃ DE MINHA MÃE, E ELE, SEU MARIDO TELEGRAFISTA, METICULOSO, MINUCIOSO E ÀS VEZES INCOMPREENDIDO POR ALGUNS. QUERIDO POR MIM, QUE SEMPRE ENCONTREI NELE UM ESPÍRITO AMIGO E COMPANHEIRO DE TODA E QUALQUER HORA. MEU CONFIDENTE DA VIDA ADULTA!
 DURANTE TODO O DIA EU ESPERAVA PELA CHEGADA DE NADIR À NOITE. PRESENÇA QUE FAZIA FESTA EM NOSSA CASA.
 MADRINHA (MINHA AVÓ), A PREPARAR CAFÉ E LEITE ADOÇADO. MINHA MÃE CUIDANDO DO JANTAR DE MEU PAI E TIA EDITHE TODA MEIGA E DOCE COM TODOS ALI... SEMPRE...
 EU VIA EM NADIR ALGO MUITO DIFERENTE DO COMUM... ACREDITAVA QUE ELA TINHA ESPÍRITO DE ARTISTA, SEMPRE BONITA E ANIMADA, BEM HUMORADA, DESENHAVA COM PERFEIÇÃO, ME DAVA IDÉIAS PARA FAZER FANTASIAS PARA AS MATINÊS DE CARNAVAL, PARA AS APRESENTAÇÕES DE DANÇA DA ESCOLA. SIGO VAGANDO, VENDO E OUVINDO TUDO ISSO!
 HAVIA UM SOFÁ-CAMA NA SALA DE TV, VERMELHO E ALI NÓS NOS DEITÁVAMOS PARA ASSISTIR ALGO QUE NÃO TINHA A MENOR IMPORTÂNCIA PARA MIM, QUEM EU QUERIA ESTAVA DEITADA ALI COMIGO! ENVOLVIDA NUM ROUPÃO ACOLCHOADO PEGAVA UM PUNHADO DE BALAS DE MENTA E DISTRIBUÍA.
                                                          Ana Lourenço da Silva

 VEZ OU OUTRA, ANA LOURENÇO, MINHA TIA AVÓ, TAMBÉM VINHA PASSAR AQUELAS HORAS MÁGICAS CONOSCO. QUANDO VINHA, TRAZIA PEQUENOS PÃES FEITOS POR ELA, CUIDADOSAMENTE EMBRULHADOS EM GUARDANAPOS BRANCOS. SÉRIA COMO MEU AVÔ, SOMENTE ESBOÇAVA ALGUNS SORRISOS ENQUANTO NÓS NOS PERDÍAMOS EM CONSTRUTORA ALGAZARRA. E A ALEGRIA DISPERSAVA-SE PELA CASA.
 APAGÁVAMOS AS LUZES E NADIR COMEÇAVA, COM AS MÃOS, A CRIAR IMAGENS QUE SE MOVIMENTAVAM NAS PAREDES.
 O RELÓGIO CONTINUA A ADENTRAR O TEMPO FUTURO, MAS AS LUZES AMARELADAS E ENVELHECIDAS DOS CANTOS DE MINHA ALMA, CONTINUAM ME ARRASTANDO VELOZMENTE PARA O PASSADO. TODAS AS CORES ESTÃO DESBOTADAS... APARECEM VULTOS... QUERO CONTINUAR ALI... O SABOR DO LEITE QUE MADRINHA PREPARARA PRA NÓS ME FAZ ASSENTAR A ALMA EM VIAGEM, POR MAIS ALGUNS MINUTOS... SAUDADES INTENSAS ME DIZEM NOS OUVIDOS QUE DEVO FICAR UM POUCO MAIS E ESPERAR ELIZEU.
 PADRINHO, JÁ BRAVO COM A BALBÚRDIA DAS CORRERIAS PELA SALA! AS RISADAS ALTAS E SOLTAS RESSOAM PELA CASA. A CRISTALEIRA VIBRA NO CHÃO DA SALA E O VELHO RELÓGIO AMEAÇA O FIM DE MINHAS FELIZES HORAS. AS FIGURAS CONTINUAM A DANÇAR NAS PAREDES NUM BONITO JOGO DE LUZ E SOMBRAS E PASSEIAM DENTRO DE MIM. APESAR DO FRIO, SINTO SOMENTE O CONFORTO DE ESTAR DENTRO DO CASTELO DE MEUS SONHOS INFANTIS, A SEGURANÇA DAQUELAS VOZES QUE SEI QUE ME ACOMPANHAM HÁ MILHARES DE ANOS. MINHA MÃE!!!
 AH! O INCESSANTE CAMINHAR DOS PONTEIROS DO VELHO RELÓGIO. OUVE-SE O APITO ESTRIDENTE DO TREM E EM ALGUNS MINUTOS ELIZEU ESTARÁ CHEGANDO.
 ELE ENTRA NA CASA, COLOCA SUA MALETA DE TRABALHO SOBRE A MESA DA SALA DO MEIO, E SEGUE O CHEIRO BOM DO CAFÉ NOTURNO DE MINHA MADRINHA, O AROMA DOS PÃES DE ANA LOURENÇO.
 E A MENINA QUE NAQUELE MOMENTO HABITA EM MIM, COMEÇA A ENTRITECER-SE... NADIR VAI EMBORA... QUERO QUE FIQUE... QUERO FICAR TAMBÉM NA ESCURIDÃO QUEBRADA PELO AMARELADO DAS PEQUENAS LUZES... O TÚNEL COMEÇA A FORMAR-SE NOVAMENTE PARA QUE EU VAGUE NO CAMINHO DE VOLTA... SOU CRIANÇA, NÃO QUERO ACEITAR... QUERO MINHAS EMOÇÕES DAQUELE MOMENTO, A SALA DAS ARTES DE NADIR, AS RAÍZES DA VELHA CASA, A MADEIRA QUE ESTALA E FALA COMIGO... ME CONTA SEGREDOS...A CONVERSA DE MINHA MÃE E MEUS PADRINHOS, O SORRISO INOCENTE DE EDITHE... COM ESFORÇO AJUDADO POR SERES MAIORES, ACOMPANHO ANA LOURENÇO, QUE É A PRIMEIRA QUE SAI DE CENA. MEU AVÔ RECOLHE-SE. EDITHE SE ESVAI EM VAPOROSA FRAGRÂNCIA DE GUARDADOS E RECORDAÇÕES. E DEIXA UMA NUVEM CHEIRANDO A "CASHEMIRE BOUQUET" . MEU PAI DESAPARECE EM SEU LARGO SORRISO. MINHA AVÓ... MINHA AVÓ ME ABRAÇA E COM ELA SE VÃO ALGUMAS DAS LUZES AMARELAS. MINHA MÃE SEGURA MINHA MÃO COM SUA SABEDORIA DISCRETA, E ME LEVA ATÉ A PORTA PARA DESPEDIR-ME DE NADIR E ELIZEU. A ESCURIDÃO ATRÁS DE NÓS ME MOSTRA INSISTENTEMENTE O TÚNEL DO TEMPO PRESENTE, E APENAS O CAMINHAR DOS PONTEIROS SE FAZ OUVIR INCESSANTEMENTE NA SALA QUE VAI FICANDO PARA TRÁS!
 GIRO O TRINCO DE MADEIRA COM FORMAS ARREDONDADAS E PERGUNTO A NADIR E ELIZEU SE VOLTARÃO NA NOITE SEGUINTE.
                     Nadir Lourenço dos Santos e Elizeu dos Santos.

 O VENTO FRIO AUMENTA LÁ FORA E GELA MINHA BOCA INTENSIFICANDO A MENTA DAS BALAS. NADIR PROMETE VOLTAR.
 OLHANDO OS OLHOS SURREAIS DE MINHA MÃE, ME ACALMO NA CERTEZA DE QUE NADIR VOLTARÁ! VOLTARÁ SEMPRE... E PELAS RUAS DE PARALELEPÍPEDOS OUÇO O DESAPARECER DE SEUS PASSOS ETÉREOS.
 VOLTO PARA O TÚNEL, NA SALA JÁ NÃO HÁ MAIS AS LUZES AMARELAS, NEM O CHEIRO DO CAFÉ E LEITE ADOÇADO... SOMENTE UM ECO DE VOZES DESAPARECENDO NA ESCURIDÃO... SINTO AS MÃOS DE MINHA MÃE NAS MINHAS MÃOS... VAGO DE VOLTA E VIAJO ENTRE VULTOS E CLARÕES QUE NÃO CONSIGO DECIFRAR... JÁ NÃO OUÇO O RELÓGIO DE CAMINHAR TEIMOSO...O RELÓGIO ESTÁ PARADO, ME ESPERANDO VOLTAR NO TEMPO E NO ESPAÇO, RASGADO PELO TÚNEL.
 VOLTO COM A CERTEZA DE OUTRAS VIAGENS E EM PLENA SINTONIA COM O CARÁTER CÍCLICO DA ETERNIDADE, COM A JUSTA TRANSITORIEDADE DA VIDA, COM O RENASCER CONSTANTE DAS ALMAS.
 ARTES DE NADIR... PONTEIROS DO TEMPO... LUZES DAS ALMAS...

 CÉLIA MOTTA                                                                          guardiadelendas.blogspot.com