quarta-feira, 29 de novembro de 2017

REGISTROS DO DISTRITO DE ALFREDO GUEDES NA DÉCADA DE 1980


ESTES REGISTROS DE ALFREDO GUEDES, MOSTRAM O NOSSO COLABORADOR, ELVIS CAMARGO, HOJE RESIDENTE NA CIDADE DE AGUDOS.
AINDA, MENINO, EM VÁRIAS IMAGENS COM OS AMIGOS E AMIGAS DOS TEMPOS DE BRINCADEIRAS E FESTINHAS DE ANIVERSÁRIO AO AR LIVRE...
ANOS 80.
PURA NOSTALGIA "ALFREDOGUEDENSE".


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                                                                                          Célia Motta.

"ROMANHOLI DA FARMÁCIA: O PEQUENINO QUE CURAVA"


 A IMAGEM DO SAUDOSÍSSIMO FARMACÊUTICO, JOSÉ ROMANHOLO, QUE CHAMÁVAMOS "ROMANHOLI"


INCORPORADO ÀS NOSSAS VIVÊNCIAS, SR. JOSÉ ROMANHOLI, O NOSSO FAMACÊUTICO!
PEQUENINO E CHEIO DE AGILIDADE, LÁ ATRÁS DO BALCÃO, SURGIA ELE:  ENTRE POMADINHAS E UNGUENTOS MILAGROSOS, SERINGAS E INJEÇÕES, PASTILHAS SABOROSAS E COLORIDAS PARA A GARGANTA, XAROPES E EMPLASTROS PARA DORES. BATÍAMOS NO BALCÃO E LOGO ELE APARECIA.
ERA O HOMEM QUE SEMPRE ACERTAVA NOS REMÉDIOS. 

OUÇO RELATOS ATÉ OS DIAS DE HOJE, QUE SR. ROMANHOLI CURAVA TANTO QUANTO OS MÉDICOS DE SUA ÉPOCA. TALVEZ A TERRA GUARDIÃ TIVESSE LHE DADO O PODER DE MANIPULAR CERTAS POÇÕES... TALVEZ SUA ALMA ULTRAPASSASSE EM MUITO, O SEU TAMANHO FÍSICO E ISSO O FIZESSE TRANSCENDER... TALVEZ FOSSE ELE, ALI ENTRE NÓS, UM VERDADEIRO ALQUIMISTA E MESTRE DAS POÇÕES!
ME RECORDO QUE UMA VEZ, AINDA MUITO PEQUENA, EU PEDI PARA A MINHA MÃE QUE ME DEIXASSE DESCER SOZINHA PARA COMPRAR PASTILHAS, POIS EU AMAVA AS COR DE ROSA, FAZENDO USO INCLUSIVE QUANDO NÃO ERAM TÃO NECESSÁRIAS.
FUI E COMPREI, NO ENTANTO EU ESTICARA A PEQUENA AVENTURA ATÉ A ESTRADA QUE LEVA À FAZENDA DA FAMÍLIA HELENE, FASCINADA QUE SEMPRE FUI PELOS HELENE... AH! ALFREDO GUEDES SEM IGUAL... 
HOJE, A CASA ONDE ELE VIVERA E TAMBÉM MONTARA A FARMÁCIA, INFELIZMENTE JÁ NÃO EXISTE MAIS. MAS, A CURVA AINDA PERSISTE EM RELEMBRAR E TRAZER DE VOLTA, O SEU SALTITAR ATRÁS DO BALCÃO E O SORRISO ENCANTADOR DE SUA ESPOSA, DONA MARIA...

FAMÍLIA DE JOSÉ ROMANHOLI, NA REALIDADE, "ROMANHOLO", REUNIDA PARA TIRAR FOTOGRAFIA. ESTE LINDO REGISTRO É DO ACERVO DA FAMÍLIA.   



QUEM NÃO SE RECORDA CHEIO DE SAUDADES DE DONA MARIA, ESPOSA DE ROMANHOLI?
QUEM NÃO SE LEMBRA DE SUA DOÇURA, DE SUA VOZ MANSA E ALEGRE, E DE SEU OLHAR CHEIO DE TERNURA?
DONA MARIA AGREGAVA CALOR E EMOÇÃO NO BALCÃO DA FARMÁCIA.
BONS TEMPOS... 
TEMPOS EM QUE A CURVA LÁ EM BAIXO, SAINDO DA PONTE DO RIO LENÇÓIS, POSSUÍA ESSE SEU SORRISO, ACOMPANHADO DOS ORATÓRIOS EMBUTIDOS NAS PAREDES DAS CASAS ALI DE PERTO... CASA DE DONA ANGÉLICA E SENHOR NENITO PRÍNCIPE, E MUITO ANTES DELA, CASA DA DONA CARMINHA! O ARMAZÉM DO BRONZATO... TEMPOS QUE DEIXARAM SAUDADES...
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                                                                                                       Célia Motta. 

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

"Nos confins da Tirania"

Paira uma revolta desconcertante nos olhares das pessoas de brio.
Paira um desprezo, que em meu peito não ficará contido.
Paira a mesma estranheza, que corrói o nosso estranho país.
Paira uma subserviência geral e repulsiva, que não contaminará o meu ser.
Exalam os odores fétidos das fermentações e fomentações sepulcrais.
Pães que fermentam, fermentos que fomentam a ruína do pai de família, da mãe amorosa e dos inocentes rebentos. Forno de inconcebíveis maledicências! Fornos de cadáveres em confusão.
Atitudes impensadas! Ou melhor: danosamente premeditadas!
Horrores do forasteiro que o lugar soterra e não honra.
Horrores de outros forasteiros que à decência desconhecem.
No reverso da reles moeda, está o homem honesto, pai de família. Com a dignidade desconstruída pela infâmia, desmoraliza-se a honradez diante de imagem desnecessariamente armada por arsenais de maldade e crueldade.
Autoridade despudoradamente vil! Tirania de quem a benevolência não conheceu jamais. Sorrateiro e gatuno, como é próprio e característico dos covardes inglórios, surge o déspota.
Me questiono pela vida pregressa que o norteia, pela carga pesada que os seus ombros carregam. Tostões da balbúrdia recompensam as ações de desprezível criatura. Em suas costas pesam prejuízos ao erário, ações de improbidade e peculato. E ainda assim, sou eu que menos ganho, e que por obrigação pré determinada, devo pagá-lo!
E é o criminoso que se defende! De algoz se transforma em indefeso! ! Óh! país da insanidade! Óh! Confins das bestas soltas e desenfreadas!
Contraditória disposição de podres poderes!
Mas é mesmo muito estranho o nosso país!  E tiranos, os nossos confins! Criminosos se defendem de criaturas honestas, disseminando o desemprego mirado, fome e abandono entre os trabalhadores, causam desespero entre o marido e a mulher, desafiam as suas crias à desilusão da realidade e à descrença da bondade
Chega o Natal e meus olhos não desejam presenciar bestialidades tais.
Mas, fermentam os pães! Fermentam as roscas de Natal! O açúcar do grande engodo encobre o fel em putrefação. Talvez seja pertinente distribuir tais excrementos em praça pública! Talvez se deva reunir as pessoas, para que recebam os pães da miséria moral, ao som de Eva Perón!
Haja pão! Haja circo! Haja estômago! Haja confeito para camuflar a hipocrisia cristã no tempo do advento do Cristo! Haja mais e mais açúcar para que engulamos a passagem dos dias sem ética, tempo sórdido e manipulador das desgraças! Que venham os santos e as hóstias compondo o cenário de velada mentira. Haja mais fermento para que cresça o nevoeiro nos olhos dos inertes! Mas, principalmente, haja garganta para não calar diante do mal.

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                                                                                              Célia Motta.



sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Decoração Natalina

Desde o mês de Agosto, o visual de nossas ruas, antes tão bucólico e romântico, foi transformado em sala de espera da obra mais desejada no distrito: a implantação das galerias pluviais!
Diga-se de passagem, obra absolutamente necessária e urgente.
Também de passagem, talvez devamos agregar maior beleza ao depósito de concreto nas calçadas, idealizando uma decoração natalina e de votos de um "feliz ano novo". Quem sabe luzes coloridas? Ou talvez alguns pedestais brilhantes para substituir as pedras que estão segurando algumas das belezuras de concreto? Será que tal decoração seria aceita dentro do município de Lençóis Paulista?
Será que o tempo decorrido de agosto para cá, com tamanho impedimento nas calçadas, seria aceito pelos lençoenses?


Aqui neste ponto (foto acima) temos inclusive o portão social de uma casa, impedido pelo depósito de tubulações de concreto.






Certamente depois de agregada a decoração natalina, tudo ficará mais bonito! Por essas e outras, fico imaginando em que se fundamentam as falas alardeadas em jornais, de que estamos felizes com a valorização do distrito. E me convenço de que a grande sorte da classe política do nosso estranho país, está na gigantesca falta de conhecimento do povo. Em terra de cego quem tem visão pequena vira xerife, desmando vira "valorização" e "mudanças", malandragem vira salvação, servente vira restaurador, ignorante é ditador, e desconhecimento se transforma em verdadeira erudição em entrevistas cuidadosamente escolhidas.

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Célia Motta.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

"O Xerife de Alfredo Guedes"



Por várias vezes faço aqui a reprodução fiel dos textos do jornalista Paulo Jacon. Hoje, será mais uma de tantas outras vezes que farei isso. "Raro e caro escrevedor", Paulo tem emprestado todo o seu talento de jornalista e a sua veia de futuro advogado para exprimir o seu apoio ao Distrito de Alfredo Guedes. Inconformado como eu, intelectualmente aliado ao pensamento dos nossos amigos historiadores (e aqui faço uma menção especial ao pesquisador Eduardo Ayres Delamonica, pela solidariedade à nossa causa, tão delicada), também como eu vem divulgando ao longo do tempo, o ponto de vista das poucas famílias tradicionais de nossa terra guardiã. Temos senso de realidade e estamos antenados com a dificuldade dos caminhos percorridos. Sabemos que não seremos ouvidos e atendidos em nossas reivindicações e preocupações com a história local. História esta, que também é a história de nossa Lençóis Paulista. Estamos cientes de que em qualquer parte desta nossa estranha Nação, será sempre muito menos comprometedor, tomar atitudes de acordo com a vontade popular (mesmo quando há sérios indícios de que a escolha é imatura, desastrosa e equivocada por ignorar o assunto!) do que investir em ampliação de conhecimentos e abrir o assunto para uma discussão realmente consistente e realista. Em resumo, o que importa é a seguinte reflexão: se todos tiverem espírito crítico e questionador... como ficarão as eleições? É a maldita bola de neve que vem rolando no país inteiro.
No entanto, estamos absolutamente cientes de que preferimos perder, porém em pé! E não queríamos mesmo estar do lado daqueles que aparentemente saíram ganhando com as últimas decisões. Não mesmo.
O motivo?
Simples: os mesmos que estão aplaudindo o descalabro realizado com a história local hoje, são os mesmíssimos que lamentarão, em breve, pelas perdas (irreparáveis!) da nossa memória. Sucederá o que estamos cansados de perceber, em comentários de tantos e tantos "alfredoguedenses", sobre a descaracterização da praça, a derrubada das árvores, a bestialidade cometida contra a família Bosi, modificando o nome de nossa tradicional escola. Sucederá a mesma repulsa que norteia o peito de cada estudante que passou pela Escola Estadual de Primeiro Grau Cecília Marins Bosi, ao saber do criminoso desvio de seu nobre mobiliário de época.
Eu, tenho saudades de todos aqueles homens de bem que passaram pela administração de nosso precioso Distrito. Tenho saudade do tempo de cada um deles. Tenho saudade do caráter que se disponibilizava ao trabalho com afinco, pelo prazer de dar de si próprio, independente da "criação" de uma Diretoria para tanto. E mais, lamento pela falta insuperável de Nilceu Bernardo à frente da programação cultural de Alfredo Guedes. Sinto falta daquele homem em mangas dobradas, da camisa suada, com dores nos braços, para poder colocar com as próprias mãos, todos os objetos de nosso acervo do Memorial, para inaugurá-lo com glória! Memorial que agora mantém as portas fechadas, represando a surreal fala do resgate. Sinto falta dos desfiles de bandas, vibrando pelas ruas, retumbando todo o nosso potencial, agora emudecido. Lastimável. Mas estaremos aqui, em pé, mergulhados em dores profundas e em tristes lamentos.
Entretanto, estaremos inteiros. Sem a deturpação ou perda de nenhuma partícula de nós. Sem nenhuma trava em nossas vozes. Sem correntes nos pés. Com as mãos livres para registrar o triste legado, seja ele qual for. O detentor do legado de sepultamento tão cruel, irreversível e prejudicial ao celeiro de histórias, carregará o fardo da responsabilidade. Será a devida colheita do plantio. Será o levante que segue a passagem da morte...

Muito obrigada, Paulo Jacon, caríssimo e raríssimo!

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Célia Motta


O XERIFE DE A.GUEDES

Depois de ouvir atentamente os discursos dos vereadores Bibaia e Dudu na última segunda feira, e ainda ouvir relatos de pessoas muito confiáveis, vou contar o que eu sei sobre o xerife do bairro.
Logo após as eleições o nosso reizinho me jurou de “pés juntos” que não o nomearia para nenhum cargo em seu governo, porque queria dormir com a consciência tranquila. Não entendi e nem perguntei as razões daquilo.
Mas, depois, talvez por ordens expressas do primeiro ministro, ele foi nomeado “xerife” do bairro , provavelmente para compensar a perda do salario de vereador. 
Pois esse senhor agrediu e ofendeu, assim como foi agredido e ofendido por um antigo morador do bairro na semana passada.
Cortou uma grande arvore da creche de lá retirando totalmente a sombra de proteção das crianças, quando na verdade o que tinha sido pedido era uma simples “poda” da mesma. Dizem que ele está proibido de entrar nas escolas da rede pública por ordem da diretora de educação, e isso não pude confirmar.
Expulsou o professor de Educação Física e seus alunos do campo de futebol aos gritos estridentes, para que todos ouvissem, pois não quer que usem o campo para preservá-lo para o campeonato amador. Embora seja um estádio público.
Recebeu arquitetas de restauro e o deputado Tidei de Lima que também é engenheiro e foi duramente criticado pelas besteiras que já fez naquele bairro , principalmente nas reformas da estação de trem. Recebeu inclusive uma lição de como replantar árvores ao redor do bairro para filtrar a poeira que vem do campo. Pior , não abriu o Memorial para que as restauradoras se inteirassem da história do bairro.
Enfim, nossa majestade não ouviu sua própria consciência e nomeou um charlatão para cuidar de um dos nossos principais Patrimonios Histórico. E, por coincidência, fomos recentemente nomeado município de importância turística, graças aos esforços da administração anterior, é claro!!!

Jornalista e Escrevedor


                    "NAQUELES DIAS"

...E NAQUELES DIAS DOURADOS DE SOL, FALANDO E ESCUTANDO A MINHA PEQUENA MASCOTE CHAMADA KELI, EU IMAGINAVA ESTAREM SEGUROS OS TESOUROS DA ANTIGA PRAÇA, DA ANTIGA ESCOLA, DAS RUAS DE PARALELEPÍPEDOS, DA MAJESTOSA ESTAÇÃO DE TREM, DA DOÇURA DAS CASINHAS DOS FEITORES E A FRAGILIDADE DA CERCA DE MADEIRA DA CASA DE SONHOS DE MEU AVÔ E PADRINHO JOSÉ LOURENÇO... NAQUELES DIAS, OS POSTES QUE SE ERGUIAM FRENTE À IGREJA DO BOM JESUS E SUAS LUMINÁRIAS ME DAVAM A CERTEZA DE QUE O REDUTO DE LENDAS NÃO SERIA JAMAIS DETURPADO, POR MÃOS DE MOVIMENTOS DUVIDOSOS...
AH... NAQUELES DIAS... NAQUELES TEMPOS... AQUELES MÁGICOS ESPAÇOS... HOJE, TUDO TÃO DEGRADADO E DESVALORIZADO POR VIL FORASTEIRO.
AH... FALE MEMÓRIA... FALE E NÃO EMUDEÇA, AINDA QUE ENTRISTEÇA! FALE!
FALE PELOS QUE SE FORAM, PELOS QUE JÁ REGRESSARAM AO NOSSO SEIO, PELA DONA CARMINHA, POR CECÍLIA MARINS BOSI, POR GINO BOSI, PELO DR. ALFREDO GUEDES, POR MARIA FRANCISCA, PELOS SEUS ANTEPASSADOS, PELOS DESCENDENTES QUE AINDA CHEGARÃO E POR TODAS AS ENERGIAS QUE CIRCUNDAM, O AINDA NOSSO (E DELES!) LUGAR...
FALE PELO SANGUE DAS LENDAS, PELOS SUORES VERTIDOS DE SEU CORONEL... FALE...
FALE PELAS LÁGRIMAS DOS FERROVIÁRIOS, PELAS ALMAS DOS CHEFES DA ESTAÇÃO, PELOS APITOS IMORTAIS QUE AINDA NOS ASSOMBRAM E VELAM OS NOSSOS DIVAGARES E VIAGENS... FALE!
FALE PELO SEU PAI, AINDA E DESDE SEMPRE CONOSCO... POR ELE, FALE.
PELOS ECOS DOS ANTIGOS FAZENDEIROS EM SEUS CAFEZAIS DE CORES VIVAS, PELO ESTRIDENTE SOM DAS MÁQUINAS DE BENEFICIAMENTO DE GRÃOS, PELO RESSOAR DOS PASSOS INVISÍVEIS E PRESENTES EM NOSSA IGREJA DE SÃO BENEDITO, PELAS ANTIGAS PRECES DOS PADRES EM NOSSAS PROCISSÕES QUE AINDA ESTÃO A PASSAR, PELOS RITUAIS DE COMUNHÃO, PELAS MESMAS ÁGUAS QUE SEMPRE RETORNARAM AO NOSSO FÉRTIL CHÃO DE SONHOS, EM MEMÓRIA DA PRIMEIRA FESTA DOS PADROEIROS E SUA TRADIÇÃO CONCEBIDA POR ZEFERINO RIBEIRO. AINDA QUE PEREÇA, FALE POR GRATIDÃO À FORÇA AQUI DEIXADA, À LUZ AQUI GERADA POR TODAS AS ASCENDÊNCIAS QUE AQUI NOS PRECEDERAM, PELA FAMÍLIA MALUF E SUAS AFLIÇÕES PASSADAS, POR MIGUEL E SALIM, POR SANTO BORANELI, POR ROMANHOLI, POR SILVIO BOSO E SUA IMORTAL ALEGRIA E FESTA INTERIOR, POR NOSSAS POESIAS QUE HÃO DE FICAR.
HÃO DE FICAR, AINDA QUE SOLITÁRIAS... HÃO DE FICAR. FALE.
FALE PELAS LIÇÕES DO VELHO MOTTA, PELA EXUBERÂNCIA DA JUVENTUDE DE SUA MÃE E SUAS TIAS, PELOS GRITOS E ALGAZARRAS NO TÚNEL DO CATETO, PELA ANTIGA PONTE DO RIO LENÇÓIS. PELO ENCANTAMENTO DAS MOÇAS DA FAMÍLIA HELENE AO PIANO, PELO SEU MÍTICO DESCENDENTE, ZÉ RUBENS HELENE. PELOS ANTIGOS CIRCOS, PELOS BAILES PERFUMADOS ONDE ALGUNS AINDA DANÇAM EM VULTOS MISTERIOSOS, PELO PERFUME DISPERSO DE EDITHE, QUANDO ESTÁ A OLHAR-SE NO VELHO, MUITO VELHO ESPELHO OVAL. PELO ARMAZÉM DO BRONZATO, POR ANALICE E DITO LIMA PELO TÉIA E PELO TONICO DO BAR, PELO VIGOR DA PRESENÇA DE JOSÉ DOMINGUES E SEUS POSICIONAMENTOS, PELA FAMÍLIA ESGUÍCERO, POR LAURA A CUIDAR INCESSANTEMENTE DE SEU VELHO MANACÁ, PELOS ROSÁRIOS DE LÍDIA, PELOS ANTIGOS RITUAIS DE BRUXARIA DA BOA VISTA, PELO BARRO MOLDADO NA ANTIGA OLARIA, PELO ETERNO RECOMEÇAR, PELO VERBO ACREDITAR. FALE.
FALE!
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                                                                                                     Célia Motta.
                                         

terça-feira, 21 de novembro de 2017

LENDAS VIVAS

NOSSO PEQUENO E GRACIOSO LUGAR.

            (Aspecto das antigas procissões em Alfredo Guedes - meados de 1940, mais ou menos.)

 LUGAR ESTE, QUE ABRIGOU LENDAS VIVAS COMO O "PEDRINHO DO GERALDÃO", FIGURA DE UMA VALENTIA DESVAIRADA, MOÇO BRIGUENTO DE ANTIGAMENTE. A FACA ERA SEMPRE SUA SOLUÇÃO. TEMIDO NOS BAILES E NOS BARES...
 LENDAS VIVAS COMO "CIDO ROSA", QUE ERA MESTRE EM ENTRAR NAS CASAS SEM SER NOTADO, QUE ROUBAVA PEQUENOS UTENSÍLIOS DOMÉSTICOS, ROUPAS DOS VARAIS E ATÉ CONSEGUIA SE ALIMENTAR EM ALGUMAS CASAS, FAZENDO SUA PRÓPRIA GULOSEIMA SEM QUE NINGUÉM PERCEBESSE... NEM JORGE AMADO TERIA CRIADO PERSONAGEM MELHOR!
 LENDAS VIVAS COMO O POLICIAL BABINE! FIGURA INESQUECÍVEL DE TODOS, QUE NUNCA DECLINOU DE SUA FUNÇÃO DE POLICIAL, QUE CUIDAVA COM AFINCO DE NOSSA POPULAÇÃO, E QUE TROUXE A SUA VEIA HEREDITÁRIA PARA SEUS DESCENDENTES, TANTO O FILHO COMO O NETO.  QUE ADORAVA OUVIR MÚSICAS ROMÂNTICAS NA VITROLA DA CASA DE MEU AVÔ, JOSÉ LOURENÇO DA SILVA! GARDEL EM VINIL!!!
 LENDAS VIVAS COMO PEDRO VENTURA, QUE NÃO SE CANSAVA DE CONTAR AOS 
QUATRO VENTOS QUE CRIAVA UM PORCO PARA RETIRAR TOUCINHO SEM PRECISAR MATA-LO! DIZIA QUE A GORDURA E A PELE SE REFAZIAM PARA QUE ELE SEMPRE PUDESSE RETIRAR MAIS!!!
 ALFREDO GUEDES NA QUAL LUIZ FRANCO, CONHECIDO COMO "LUIZ  MASCATE" IA VENDER SUAS ROUPAS.
 ALFREDO GUEDES DOS ANTIGOS BAILES, DA DONA CARMINHA DO ZÉ VICENTE, DA USANA BURANELLI, FILHA ILUSTRE, ESCRITORA E POETISA.

                                     Vista parcial do distrito de Alfredo Guedes

 DO LUIZ BELEI E DONA PALMIRA, DA DONA ROSA E DO LUIZ PORTADOR, DA MENINA Nadia R. Bacchi, DOS BOAVA, TURCARELLI, DOS SOUZA, DA PROFESSORA LINA BOSI, DA DIRETORA CECÍLIA MARINS BOSI, DO SEO GINO BOSI, DO GRANDE EMPREENDEDOR "ZÉ COCO" E SUA MÁQUINA DE BENEFICIAMENTO DE GRÃOS, DE DOMINGOS FERRAZ BUENO, DO DORETTO, DO SANTINHO VERNE E OUTROS TANTOS QUE PISARAM NOSSOS PARALELEPÍPEDOS...
 ALFREDO GUEDES NOSSA!!! É ISSO QUE SOMOS: LENDAS VIVAS QUE A MEMÓRIA IMORTALIZOU.

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 CÉLIA MOTTA

terça-feira, 14 de novembro de 2017

INDEFENSÁVEL!




NOSSAS RUAS DE PARALELEPÍPEDOS QUE ABRIGARAM SAGAS E SONHOS... ROMANCES DE MOÇAS E MOÇOS COM SEUS TERNOS DE CASIMIRA E VESTIDOS DE ORGANDI... TECIDOS A ENVOLVER EMOÇÕES E SENSAÇÕES,  A COBRIR DESEJOS...
POEMAS DISTANTES,  PORTAIS ENTREABERTOS DE UMA SENSUALIDADE PROIBIDA, AINDA HABITANDO ENTRE OS VÃOS DE NOSSO CALÇAMENTO! SERENATA EM NOITE ENLUARADA A DESATAR TÍMIDA E SUTILMENTE CERTOS LAÇOS... LAÇOS DE FITAS DE CETIM... ALFREDO GUEDES ARDENTE!
AGORA, DESPEDIMO-NOS DO SONHO DE PODER CONTAR A HISTÓRIA ESCRITA PELAS ALAMEDAS DO RESGATE E DO RESTAURO.
CHORAM PELAS PRECIOSAS PEDRAS, OS POUCOS NATIVOS DO LUGAR, OS QUE POSSUEM SENSIBILIDADE E FORMAM JUÍZO DE VALOR; DEFENSORES DA PRESERVAÇÃO DA HISTÓRIA.
EM ÂNIMOS EXALTADOS,  POR VEZES CONFUSOS, POR VEZES INEBRIADOS POR ALEGÓRICA E CARICATA  ALEGRIA, ESTÃO OS DEFENSORES DA BARBÁRIE.
 VÊ-SE CLARAMENTE OS DEFENSORES DAQUILO QUE PODERIA TER SIDO UMA EXPLORAÇÃO PROFÍCUA E SUBSTANCIALMENTE RICA X OS DEFENSORES DO PÃO E CIRCO.
CRESCE EM MIM A CERTEZA DE UM PAÍS ESTRANHO. CRESCE EM MIM A DESCONFIANÇA E O DESCRÉDITO REFERENTE A TODA E QUALQUER INSTITUIÇÃO. CRESCE EM MIM A TRISTEZA DIANTE DE TAMANHA DESVALORIZAÇÃO DO DISTRITO. DISTRITO QUE PODERIA SER O GRANDE CELEIRO CULTURAL E HISTÓRICO DO NOSSO MUNICÍPIO.
 EMERGE DO MEU MAIS PROFUNDO “EU”, O SENTIMENTO DE LUTO! LUTO PROVENIENTE DE TANTAS PERDAS.  LUTO RESULTANTE DA ENORME MORTANDADE DE PEIXES NO NOSSO RIO LENÇÓIS BEM COMO DAS ÁGUAS DE NOSSO RIO, QUE NEM INVESTIGADA ESTÁ SENDO! SENSAÇÕES SEPULCRAIS EM VER O NOSSO MEMORIAL FECHADO, MANTENDO RECLUSO O NOSSO PRECIOSO ACERVO DE OBJETOS E FATOS. LUTO PROVENIENTE DA MORTE DA HISTÓRIA. LUTO PROVENIENTE DO SEPULTAMENTO DA MEMÓRIA, ATÉ AQUI,  SAGRADA; DAQUI PARA FRENTE, SIMPLESMENTE MÁRTIR!
E... TROCAREMOS O TEMA “ALFREDO GUEDES CONTANDO A SUA HISTÓRIA”, POR “ALFREDO GUEDES, E A HISTÓRIA QUE PODERIA TER TIDO”...










 IRREMEDIAVELMENTE INCONSOLÁVEL,

 CÉLIA MOTTA alfredoguedesguardiadelendas.blogspot.com