terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

"TUDO EM VÃO"



EU QUERO A CONSISTÊNCIA DOS VELHOS DIAS
EU QUERO A VALORIZAÇÃO DO QUE É SUBSTANCIAL E CARREGADO DE VERDADES ETERNAS
TERNAS HISTÓRIAS, ETERNAS LEMBRANÇAS, CHEIROS ENVELHECIDOS, ANÉIS PASSADOS DE MÃO EM MÃO, LONGAS TRANÇAS EM CABELOS JOVIAIS DE ESPERANÇAS
OS ANTIGOS DE HOJE, SÃO OS MENINOS DAS CANTIGAS DE RODA DA PRACINHA
SÃO OS PULADORES DE CORDA DO RECREIO DO “CECÍLIA MARINS BOSI”
SÃO OS SALTADORES DAS QUADRAS DE AMARELINHA DAS CALÇADAS
SÃO HOMENS DE GRANDE ENVERGADURA
MULHERES DE POSTURA
EU QUERO A INSERÇÃO DA CULTURA
EU QUERO O DESPERTAR NAS ALMAS TENRAS, DA LEITURA
QUERO FAZÊ-LOS ÍNTIMOS DO PENSAR
EU QUERO RESSALTADA A NOSSA ORIGINALIDADE
A NOSSA HISTORICIDADE
O RESGATE DOS NOSSOS NOMES DE FAMÍLIA
QUERO MOSTRAR COM ORGULHO A NOSSA FORÇA E MAGIA
E VER AS LÁGRIMAS NOSTÁLGICAS DOS VISITANTES EM NOSSOS DIAS
QUERO VER POR REPETIDAS VEZES, VISITANTES DE OUTRO ESTADO, COMO RAFAEL BOSO, NOSSO DOADOR DE MEMÓRIAS INESQUECÍVEIS
MAS, DE TUDO O QUE VEJO, OU DO NADA QUE É FEITO
HÁ SEMPRE LACUNAS
HÁ SEMPRE VAZIOS
E UMA NUVEM DE RESQUÍCIOS E RESPINGOS DE REPRESSÃO, DE RESTOS DE FORÇAS PARALELAS, DE PODERES DISTORCIDOS DE UM MILITARISMO DECADENTE PAIRA INSISTENTE
E A PROFUNDIDADE DA BRASILIDADE DE CADA UM DE NOSSOS RECANTOS, VAI SE PERDENDO EM TUDO O QUE É RASO E IMBECIL
DE PERDAS EM PERDAS, VAMOS NÓS, NOS PERDENDO EM INÚTEIS ENTRETENIMENTOS E TOLICES DE ALTO PREÇO
DA MESMA MANEIRA QUE PERDEMOS A RIQUEZA DA NOSSA LÍNGUA, ESCOAM OS NOSSOS COSTUMES MAIS ARRAIGADOS
DERRUBA-SE ÁRVORES ANTIGAS
DESMORONA-SE A PRAÇA ACERCA DOS TRILHOS DA ESTAÇÃO DE TREM
COM ELA, VÃO-SE AO ESQUECIMENTO OS NOMES DO BOAVA, DO DITO LIMA, DO SEGUNDO BOSO, DOS LOURENÇO, DOS HELENE, DO BEPÃO...
TODO O PASSADO, TODA A CONSTRUÇÃO DO QUE FOMOS, DO QUE SOMOS...
TUDO EM VÃO

                                                                                 guardiadelendas.blogspot.com
                                                                                 Célia Motta.

    A pracinha em que os idosos se juntavam nas tardes de calor para a conversa diária, em que os jovens batiam o seu baralho, em que a molecada se refrescava; antes da derrubada e desconstrução total. 


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