segunda-feira, 27 de novembro de 2017

"Nos confins da Tirania"

Paira uma revolta desconcertante nos olhares das pessoas de brio.
Paira um desprezo, que em meu peito não ficará contido.
Paira a mesma estranheza, que corrói o nosso estranho país.
Paira uma subserviência geral e repulsiva, que não contaminará o meu ser.
Exalam os odores fétidos das fermentações e fomentações sepulcrais.
Pães que fermentam, fermentos que fomentam a ruína do pai de família, da mãe amorosa e dos inocentes rebentos. Forno de inconcebíveis maledicências! Fornos de cadáveres em confusão.
Atitudes impensadas! Ou melhor: danosamente premeditadas!
Horrores do forasteiro que o lugar soterra e não honra.
Horrores de outros forasteiros que à decência desconhecem.
No reverso da reles moeda, está o homem honesto, pai de família. Com a dignidade desconstruída pela infâmia, desmoraliza-se a honradez diante de imagem desnecessariamente armada por arsenais de maldade e crueldade.
Autoridade despudoradamente vil! Tirania de quem a benevolência não conheceu jamais. Sorrateiro e gatuno, como é próprio e característico dos covardes inglórios, surge o déspota.
Me questiono pela vida pregressa que o norteia, pela carga pesada que os seus ombros carregam. Tostões da balbúrdia recompensam as ações de desprezível criatura. Em suas costas pesam prejuízos ao erário, ações de improbidade e peculato. E ainda assim, sou eu que menos ganho, e que por obrigação pré determinada, devo pagá-lo!
E é o criminoso que se defende! De algoz se transforma em indefeso! ! Óh! país da insanidade! Óh! Confins das bestas soltas e desenfreadas!
Contraditória disposição de podres poderes!
Mas é mesmo muito estranho o nosso país!  E tiranos, os nossos confins! Criminosos se defendem de criaturas honestas, disseminando o desemprego mirado, fome e abandono entre os trabalhadores, causam desespero entre o marido e a mulher, desafiam as suas crias à desilusão da realidade e à descrença da bondade
Chega o Natal e meus olhos não desejam presenciar bestialidades tais.
Mas, fermentam os pães! Fermentam as roscas de Natal! O açúcar do grande engodo encobre o fel em putrefação. Talvez seja pertinente distribuir tais excrementos em praça pública! Talvez se deva reunir as pessoas, para que recebam os pães da miséria moral, ao som de Eva Perón!
Haja pão! Haja circo! Haja estômago! Haja confeito para camuflar a hipocrisia cristã no tempo do advento do Cristo! Haja mais e mais açúcar para que engulamos a passagem dos dias sem ética, tempo sórdido e manipulador das desgraças! Que venham os santos e as hóstias compondo o cenário de velada mentira. Haja mais fermento para que cresça o nevoeiro nos olhos dos inertes! Mas, principalmente, haja garganta para não calar diante do mal.

                                                                                              guardiadelendas.blogspot.com
                                                                                              Célia Motta.



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