quinta-feira, 7 de agosto de 2014

NOSSA ESCOLA NOS TEMPOS DO "CECÍLIA MARINS BOSI"

Se há algo impossível de passar em branco na vida de uma pessoa, certamente trata-se dos tempos de infância; e se há algo na infância que nos marca profundamente, certamente são os primeiros anos na escola.
Ontém à noite recebi uma doação de um amigo para o nosso Memorial, um amigo que eu visitei quando nasceu!!!
Homem feito agora, preocupado com o resgate histórico de nossa comunidade e empenhado em introduzir de vez a memória dos familiares, que aliás estão por aqui há pelo menos tres gerações. Ele e sua irmã descendem das famílias Pasqualinotti e Rossi, e são respectivamente Alison e Rose.
A família Rossi nos brindou com a Ercília Rossi, que todos nós chamava-mos de Cecília, e não bastando, a família Pasqualinotti nos contemplou com o Sr. Nelson. Como se fosse pouco, a vida ainda se encarregou de colocá-los juntos trabalhando na mesma escola.
Cecília era uma tremenda figura, daquelas que se incorporavam ao ambiente de tal forma, que quando uma cena era observada, perdia-se a noção do limite onde começava o lugar e onde começava a pessoa, Cecília transformou-se um pouco em Alfredo Guedes, e Alfredo Guedes transformou-se um pouco em Cecília.
Sua voz marcante e contagiante eu ouvia todos os dias no portão da casa de meu avô, lugar em que minha mãe e minha tia sempre estavam para trocar umas palavras com Cecília; alí pelo meio dia, quando terminava um período de aulas do Cecília Marins Bosi para começar outro à tarde; a agitação das crianças da escola, a pequena parada que todas as professoras davam para cumprimentar o pessoal de casa e Cecília.Foi a merendeira de tantas gerações de alunos...quem experimentou sua sopa de fubá e carne moída, nunca mais se esqueceu e nunca mais comeu uma igual... saudades de Cecília...engraçada e irreverente...
Sr. Nelson trabalhava como servente na escola, e todos os que por ali passaram, lembram-se de sua figura alta, elegante em todos os seus gestos, introspectivo, extremamente polido e educadíssimo. Não me lembro de nenhuma situação em que ele não estivesse impecável. Era ele que ficava responsável pelos portões da escola e pelo sinal de entrada, saída e intervalos das aulas...
O tempo passou, e de algum modo sabemos que eles ainda estão por aqui, na energia de sua memória, na presença dos filhos e netos, mas principalmente no legado que deixaram pra nós, na missão cumprida, na nossa saudade...
O tempo passa, as pessoas chegam e partem, mas o afeto permanece, e fortalece na justa medida em que o tempo corre...

Nenhum comentário:

Postar um comentário