quarta-feira, 12 de abril de 2017

"SINFONIA DO FALAR"


FALO DAQUILO QUE DENTRO DA GENTE FAZ BURBURINHO
FALO DAQUILO QUE SÓ CARREGA NA ALMA, QUEM AQUI NASCE
FALO DO CATETO EM SUAVES BARULHINHOS
FALO DE UM "NÃO SEI QUÊ" A REVIRAR ENTRANHAS
FALO DAS ARTES, DAS MANHAS, DAS MANHÃS E ARTIMANHAS
FALO DE UM COCHICHO QUE VEM COM O VENTO
ÀS VEZES TREMOR, ÀS VEZES LAMENTO
FALO DO SOM QUE VIBRA NOS TÚNEIS INTERNOS DE CADA GUEDENSE
FALO DOS PASSEIOS NA ESTAÇÃO, DE ESPÍRITOS QUE AINDA FLUTUAM NOS DEVANEIOS DE CADA CORAÇÃO
FALO DO DESEJO QUE CORTA O SONO, A DEBATER OS CORPOS
DOS DESVARIOS NOTURNOS, INEBRIADOS PELO PERFUME DA FLOR DE MANACÁ
DOS LAMPEJOS DO PASSADO QUE A TODO TEMPO TEIMAM EM RETORNAR
FALO DAS PEDRAS, PRECIOSAS DE ENCANTOS E SEGREDOS
FALO, AINDA DAS PEDRAS, ORÁCULOS DE MAGIA SOB ANTIGOS ARVOREDOS
FALO DE UM TESOURO IMPRESSO EM PROFUNDAS MARCAS
MARCAS NAS PEDRAS
MARCAS DEIXADAS POR ANÍZIO ISIDORO, NO RICO TAPETE SOBRE AS RUAS
MARCAS NA ALMA
MARCAS AINDA A CRAVAR MOMENTOS
CAMINHOS A ANDAR NO TEMPO
FALO DAS MESTRAS MÃOS DE QUEM AS COLOCOU ALI, EM TÃO RICO CHÃO
FALO DOS SUORES GOTEJADOS, EVAPORADOS, AINDA A ESPALHAR EMOÇÃO
FALO DE JOSÉ DO CORREIO
FALO DO BAR DO BELO, FALO DE MARIA E OLEGÁRIO, FALO DE LUIZ PORTADOR
FALO DE DONATO E DONA CIDA
FALO DE UM TELEFONE DE INDIAS
FALO DA NOIVA A ASSOMBRAR ESCADARIAS, TÃO MINHA!
SEU ODOR DE FLORES DE LARANJEIRA... BREJEIRA!
FALO DA POESIA
FALO DE ZEFERINO RIBEIRO
FALO DE DOUTOR BRASIL
FALO DA NOSTALGIA, FALO DO DR. ALFREDO GUEDES!
FALO DE UM PASSADO DORMENTE
DE UM AMOR LATENTE
DE UMA SAUDADE PRESENTE
DE UMA CHUVA A RETORNAR E GERMINAR SEMENTES
DE UM DOURADO POENTE
DE UM FARFALHAR A ARREPIAR A PELE
DE UMA LUA NUNCA AUSENTE
DE POMARES VIVOS
DE VOZES ANTIGAS
DE UIVOS LANCINANTES
DE CIRANDAS SECULARES
DE VIAGENS MISTERIOSAS PARA LONGÍNQUOS ESPAÇOS
FALO DO AMOR ANGELICAL! QUE EMBALA E CANTA
FALO DO AMOR SENSUAL! QUE VIBRA, DESCONCERTA, AQUECE, CONCEBE E ENCANTA
FALO DE ANTEPASSADOS ETERNOS
FALO DE MEMÓRIAS VIVAS
FALO DE MINHA TERRA
FALO DE MINHA VIDA
ALFREDO GUEDES, QUERIDA!


CÉLIA MOTTA.



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